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Qualquer história que possua o marcador Aberta pode ser escrita por qualquer visitante. Basta continuar o conto de forma coerente nos comentários ou enviando o texto por e-mail para

rpgsproject@yahoo.com.br

Boa leitura!

Aviso

Bom, em primeiro lugar, gostaria de me desculpar pela minha ausência no blog. Estive realmente muito ocupado nesse final de ano e tinha muito mais coisas pra fazer do que tempo para fazê-las. Eu poderia ter escrito alguns posts de vez em quando, mas não acredito que seja uma boa idéia escrever capítulos de uma história uma vez a cada duas semanas.

"Legal, então pára de ladainha e manda o próximo capítulo."

Caros leitores, para a infelicidade de vocês, estarei saindo de viagem ainda hoje (em uns 5 minutos na verdade) e por isso, terão que esperar mais um pouco para continuarem lendo nossas histórias. Eu escrevi um artigo sobre meu tão querido RPG e poderia postá-lo agora mas, novamente, um post isolado não serve para nada. Então, Janeiro (ou antes) estou de volta com material novo para vocês. Até lá,

Boa Leitura!

Vamos Alice!

Sei que demorou e muito para eu postar de novo um poema mas por favor perdoem a minha falta de tempo, hoje eu trago um poema um pouco diferente do primeiro ele não trata de nenhuma lenda elfica ou um cantico de menestreis sobre uma grande aventura, ele é uma mistura de diversos elementos fantasticos que se mesclam para mostrar apenas o vislumbre do que poderia ser uma historia emocionante, não me demorarei mais boa leitura e até a proxima senhores e senhoras
VAMOS ALICE!

Vamos Alice eu quero caminhar.
Entre as terras do pais das maravilhas.
Para encontrar o lírio violeta.
O meu presente para minha princesa.

Alice me guie entre a floresta sussurrante.
Um presente espera Liriel, a minha amante.
Para salvar nossa paixão do feiticeiro azul.
E perpetuar a paz nos campos do sul.

Toque em minha mão Alice.
E asas conceda-me.
Para entre as brumas mágicas.
Eu encontrar a rubra jóia.

Vamos Alice eu quero ver os elfos.
Ir até Valfenda encontrar o sábio eterno.
Traduzir as estrelas da noite.
Levar a salvação para a minha amante.

Alice é vasta a fantasia de suas terras.
Um presente para uma alma melancólica.
A salvação para minha certa derrota.
O elisio do artefato que me dará a vitoria.

Batize-me com pó de estrelas.
E eu voarei até elas.
Para entre os véus do universo.
Achar a salvação para meu sentimento.

Vamos Alice preciso caminhar entre estes campos.
Para encontrar o farol que salva sonhos.
Vamos Alice, pois Liriel espera.
O meu amor, sua salvação , minha presença.

Nova Série - Toda História Tem um Começo



Estou criando hoje, aqui no RPGS, uma nova série chamada Genesis. Serão várias histórias da mitologia de Nakuth (planeta onde se passam todas as histórias escritas por mim até agora), da criação do Universo, da ascensão dos Deuses, etc. O maior foco será escrever a história de como os Deuses Antigos chegaram ao poder, uma postagem para cada um, conforme isso for se tornando interessante/necessário. Quem quiser enviar a história de alguma divindade que tenha criado (ou de alguma citada no RPGS), basta mandar-me uma mensagem (rpgsproject@yahoo.com.br) ou postar nos comentários. Também começarei a marcar os contos que se passam em Nakuth com uma tag. Os contos não serão sequenciais, logo não será necessário ler toda a história para saber sobre um determinado Deus/Deusa. O primeiro capítulo contará sobre a criação do Universo segundo a mitologia nakuthiana e o surgimento dos primeiros Deuses, e será chamado .

A Queda dos Deuses Antigos #10 – Fuga da Gruta – Ano da Queda, Yyrm




-Ele vai ficar bem? – Perguntou Venathia. Os irmãos que partilhavam a gruta com ela e Alexandre tentavam improvisar um curativo para Loregan. O ferimento causado pela lança era grava, mas com um tratamento adequado ele viveria.

Alexandre tinha acabado de contar à elfa como conseguira escapar dos trolls quando ela e Loregan desmaiaram, segui-los escondido e entrar escondido na gruta. Pelo que o ladino contara, havia algo organizando os monstros, o que dificultava a fuga. Mas agora eles tinham a ajuda de mais dois membros no grupo.

Pelo que conversaram, os dois eram clérigos da cidade próxima de Scion e estavam investigando as estranhas luzes quando foram capturados. Ambos pareciam pessoas extremamente gentis e estavam dispostos a ajudar, até mesmo porque também estavam presos.

A garota, de longos cabelos loiros e profundos olhos azuis, possuía uma fala mansa, que acalmava o espírito das pessoas. Seu nome era Jessica. Já o irmão, Jeremy, possuía cabelos pretos e os mesmos olhos que a irmã. Seu jeito era animado e temperamental, espalhando energia para aqueles que o cercavam.

Todo o tempo os dois trabalhavam com sincronia perfeita, quase sem trocar palavras, como se fizessem aquilo há anos. Não levou muito tempo para que tivessem terminado o curativo. Agora deveriam encontrar um jeito de sair dali antes que algum troll decidisse verificar os prisioneiros.

As opções eram poucas. Com um membro ferido e inconsciente no grupo, seria impossível se deslocarem rapidamente e, apesar de não muito inteligentes, os trolls possuem sentidos aguçados. O melhor que podiam fazer é tentar a sorte e sair furtivamente.

Caminhando lentamente, Alexandre seguiu à frente do grupo, demonstrando habilidade e destreza ao abrir as portas sem produzir ruídos. O local parecia uma mescla de grutas naturais com caminhos escavados, provavelmente utilizado apenas para estoque e alojamento temporário. Pouco tempo havia se passado quando o grupo chegou à porta de saída da masmorra.

Alexandre parou em frente à porta de madeira e olhou interrogativamente para o resto do grupo. A partir de quando a porta fosse aberta, não seria possível voltar atrás. E dificilmente os trolls os deixariam vivos uma segunda vez, caso os pegassem. Uma a um, todos balançaram a cabeça em confirmação e, dando um último suspiro, o ladino puxou a maçaneta.

O Herdeiro#13 – Próximo Passo – 761 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."



-Como pode saber que conseguirei com que me sigam? – Azzwiters perguntou.

A velha profetisa colocou a xícara sobre a mesa e, como se estivesse olhando para o drow, respondeu:

-Eu apenas sei, jovem. Deve confiar em mim se quiser chegar ao trono.

Azz sabia disso. Apesar de cega, aquela senhora “via” muito mais do que ele ou qualquer outro em Zanir. Já fazia muito tempo que os dois estavam ali, discutindo os passos para que a profecia de Azzwiters se cumprisse e, ele reconhecia o valor de tais informações.

-A partir de então, deve tomar muito cuidado. A Tecelã saberá o que está fazendo, e não gostará nada disso. Um passo em falso e você será esmagado – continuou a profetisa.

-O que devo fazer então, senhora?

-O povo de Zanir estará empolgado com a eminente investida à capital élfica. As atividades de preparação para a guerra os manterão ocupados. Mantenha uma ilusão sua na cidade e vá para...

-Espere aí, o que acontece se alguém tentar conversar com minha ilusão? Não consigo criar uma poderosa suficiente para responder sem que eu esteja por perto.

-Não se preocupe, a Coroa lhe dará poder para isso. Mas como eu dizia, assim que a ilusão estiver pronta, vá para o Domínio dos Demônios. Você precisa encontrar o mapa para o Castelo de Kahla-fah, e o único exemplar existente está em posse de Nakt Rul, general das tropas abissais.

-E para que preciso desse castelo?

Algo na face da velha mostrava que estava empolgada. A resposta para a pergunta que Azz fizera a animava extremamente.

-Para encontrar o Grimório de Jessica.

O Herdeiro#12 – Um Novo Governo – 765 d.Q., Zacrest


É claro que as sacerdotisas de Zanir eram completamente contra o governo de Azzwiters, mas não poderiam declarar isso abertamente. A maioria dos drow estava empolgada com essa mudança drástica na política local. Em toda a história dos elfos negros, houve poucos homens envolvidos na política, e mesmo assim, apenas em funções secundárias. Nunca antes uma cidade havia sido comandada por um macho da espécie. O que animava tanto a população da cidade subterrânea era os ideais imperialistas de Azz. A vitória sobre os elfos tinha renovado o espírito patriótico dos drow, e todos sabiam que com o Filho-do-Mal no comando, tal povo alcançaria grande poder.

Não havia nada que as sacerdotisas pudessem fazer a respeito. Qualquer tentativa de devolver o governo às clérigas da Deusa seria provavelmente respondida com a morte, seja causada pela população ou pelo próprio Azz. A única esperança que lhes restava estava na própria Dama Negra. O golpe de Azzwiters não era apenas uma questão política, mas também uma afronta direta à deusa patrona dos drow, uma ameaça direta à sua autoridade. E Ela sabia muito bem disso. Azz precisava ser controlado cuidadosamente ou poderia afetar o poder da Dama como divindade.

Mas ainda era cedo para intervir, Ela acreditava. O governo de Azz poderia até mesmo Lhe ser beneficial. Ele certamente tentaria expandir o reino drow, sempre ambicioso demais, e, mais cedo ou mais tarde, acabaria caindo por causa de tal sede por poder.

Azzwiters, porém, tinha outros planos. A expansão de seu futuro império poderia esperar. Antes era necessário que seu governo estivesse estabilizado e que tivesse apoio de todo o reino. Cada passo seu agora seria vigiado pela Deusa, e o cuidado deveria ser redobrado. A partir daquele dia, Ela seria seu pior inimigo, e, quando menos esperasse, Azz também a derrotaria.

Mas ainda era muito cedo para aquilo. Havia muito caminho a ser cruzado ainda e seu primeiro ato seria declarar guerra à nação élfica. Com isso, Azzwiters mantinha os drow satisfeitos e iniciava sua campanha de dominação.

A invasão já estava sendo preparada. E dessa vez, não seria um simples ataque a uma vila élfica qualquer, eles começariam pela capital.

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."

Noite Sangrenta #30 – Conversa no Porão – 786 d.Q., Tycon


Podiam-se ouvir passos na rua logo acima, juntamente com o bater das asas demoníacas em algum lugar próximo. O pingar de gotas no chão de madeira apenas deixava a atmosfera mais pesada. Já fazia algumas horas que Lyrot e Nassar estavam escondidos naquele porão escuro, e os demônios lá fora não pareciam estar nem perto de desistir da caça.

Os dois haviam lutado até o amanhecer e o cansaço tomava conta de seus corpos, fazendo-os pesar como rochas. Desde que o primeiro cultista caíra morto na noite passada, os habitantes de Lepport começaram a transformar-se em criaturas demoníacas, dotadas de asas, garras e dentes enormes. Por mais que eles continuassem matando os inimigos, sempre apareciam mais deles e, apesar da enorme habilidade dos dois ex-guardiões, ficava cada vez mais certo que aquela batalha não podia ser vencida.

-O que está acontecendo nessa cidade, Nassar? – Lyrot perguntou arfando de cansaço.

-Eu tentei lhe avisar, mas você não me ouviu. A Nevaeh tomou conta de Lepport há meses, não há o que fazer!

-Navaeh? O que é isso?

-É uma organização de cultistas que deseja, sabe-se lá por que, fazer com que o mundo seja dominado por demônios. Desde que os drows começaram a se aproximar ao Sul eles ficaram mais agitados. Para mim, o Príncipe-Demônio Xt’Sarath deve ter algo a ver com aquele Azzwiters. Eu tentei investigar, mas fui pego e aprisionado. Assim que consegui fugir daqui, você me encontrou na hospedaria.

O arqueiro foi interrompido pelo som de algo se movendo no andar de cima. Parecia algo bastante pesado e lento. Pouco depois, Nassar continua, dessa sussurrando:

-Olha aqui, nós provavelmente não sairemos vivos daqui, e se não fosse por mim, você já estaria entregue aos urubus, então nada disso importa.

Lyrot parou para pensar por um instante. Quando os dois trabalhavam juntos, costumava-se dizer que Nassar nunca errava um tiro, e ele nunca testemunhara alguma ocasião em que tal mito fosse desmascarado. Mas mesmo assim seria impossível destruir todos os demônios, por mais que o arqueiro acertasse todas as flechas, havia mais inimigos do que era possível conter com o arco, até mesmo com o auxilio da licantropia. Além disso, cedo ou tarde a munição acabaria, e, se isso ocorresse, os dois não durariam um minuto.

-Nós temos que ir para a base da Navaeh. Você consegue nos levar lá?

Nassar olhou atônito para o colega. Ele só poderia estar louco, invadir a base dos demônios só poderia resultar em morte certa. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, um som o fez parar.

Alguém estava abrindo a porta do porão.

Noite Sangrenta #29 – Um Tiro Certeiro – 786 d.Q., Tycon




A ruela em que Lyrot se encontrava era escura, ainda mais com o céu noturno encoberto por nuvens. Os varais que cruzavam sobre sua cabeça balançavam com o vento. O guerreiro podia sentir o cheiro de enxofre cada vez maior no ar da cidade. Mas havia também humanos ali perto, seu olfato aguçado não se enganaria tão facilmente.

Agora a tensão aumentava cada vez mais. Ele sabia que não tinha para onde fugir, e ficar parado provavelmente também o levaria à morte, ou a algo pior. Lyrot pegou seu machado e se preparou para o inevitável. Ele estava cercado e não levaria muito tempo para que o combate começasse.

O som de algo se movendo nos telhados fez com que o guerreiro se virasse para cima, bem a tempo de ver três seres encapuzados pularem para a ruela. Cercado pelos inimigos, Lyrot imediatamente colocou-se em posição de combate. Era fácil identificar os homens encapuzados como cultistas, por usarem o mesmo tipo de capuz, cobrindo todo o corpo, que aqueles que encontrara antes. Ele já tinha matado grupos maiores que aquele antes sozinho, mas algo naqueles três o mantinha receoso. Uma aura sombria emanava de cada um deles, fazendo com que Lyrot sentisse a maldade pura que alimentava suas almas.

Algo naqueles cultistas fazia com que o guerreiro ficasse sem ações. Não era medo, mas de alguma forma a simples presença deles pareciam impedir Lyrot de se mover. Sem poder fazer nada, Lyrot observava enquanto um deles retirava uma adaga de dentro do seu manto negro. Os outros dois pareciam estar murmurando algumas palavras, das quais apenas algumas o ex-guardião conseguia entender. Ele podia visualizar vultos se movendo rapidamente dentro das casas ou sobre os telhados. Havia demônios por toda a parte, e eles pareciam agitados.

Lyrot agora percebia o quanto tinha se precipitado em ir para aquela cidade sem nem ao menos saber o que o aguardava. E em poucos instantes tudo estaria acabado. Lyrot, O Solitário, em breve se uniria a tantos outros que foram mortos por aquelas criaturas nefastas. Ele não podia deixar que tudo terminasse assim. Não permitiria que mais pessoas morressem nas garras desses demônios, nem que mais corpos fossem violados em rituais sinistros, e, principalmente, resgataria Kate.  E para isso ele tinha que ficar derrotar Xt’Sarath.

A Fúria agora preenchia o corpo de Lyrot. A transformação parecia inevitável. A raiva que o guerreiro sentia de todos aqueles cultistas tomava controle sobre sua mente rapidamente. De alguma forma, isso lentamente devolvia-lhe os movimentos. E os três encapuzados pareciam perceber isso. Sem perder mais tempo, o cultista que portava a adaga aproximou-se do guerreiro, preparado para cravar-lhe a lâmina.

Foi então que, direta e certeira, uma flecha atingiu a cabeça do cultista com força e precisão, fazendo-o parar imediatamente.

E lá estava ele, com a mesma postura orgulhosa de anos antes, segurado o seu potente arco de carvalho apontado em direção aos cultistas. Nassar “Tiro-Certo” Blomberg tinha retornado.

A Queda dos Deuses Antigos #9 – Presos na Gruta – Ano da Queda, Yyrm




Quando Venathia recobrou a consciência, a primeira coisa que sentiu foi uma forte dor na nuca. Com a visão um pouco embaçada devido ao golpe que levara na cabeça, a elfa tentou descobrir aonde se encontrava. O local era um tipo de gruta, tendo como única saída uma passagem escura e ascendente. Conforme se concentrava no ambiente ao seu redor, a caçadora notava que também havia mais três pessoas ali, e que todas, inclusive ela mesma, estavam presas por correntes.

-Tudo bem com você? – Perguntou uma voz feminina vinda de um dos companheiros de prisão.

Venathia sentou-se enquanto tentava encontrar um jeito de soltar as correntes. Havia um buraco para uma chave no cadeado que prendia a corrente a um elo no solo. Sem olhar para a humana que havia lhe feito a pergunta, respondeu:

-Sim, obrigada. O que está acontecendo aqui?

-Pelo visto nós serviremos de sacrifício ao deus maligno deles – Dessa vez quem respondeu foi um homem que estava sentado próximo à jovem que falara antes – Parece que ele os abandonou.

-Não adianta – Disse a humana ao notar que Venathia continuava a analisar o cadeado – Não conseguirá se libertar. E mesmo que conseguisse, como fugiria? Não percebeu o quanto os trolls são poderosos da última vez?

De repente uma lembrança passou pela mente da elfa. A imagem de Loregan sendo atingido pela lança causou uma reação de agitação na jovem, fazendo com que olhasse rapidamente à volta. Seus olhos élficos rapidamente pousaram sobre o último corpo que estava naquela gruta.

-É seu amigo? – Perguntou o homem – Por sorte ainda está vivo, mas não deve continuar assim por muito tempo. Se eu e minha irmã estivéssemos livres, poderíamos ajudar, mas não conseguimos chegar até ele. Mas não importa muito, daqui a pouco todos estaremos mortos de qualquer forma...

De repente algo fez com que os três parassem de falar e ficassem atentos. Um som de rangido tinha se espalhado por toda a gruta. Com o coração saltando pela garganta, Venathia se levanta, escondendo-se atrás de uma estalagmite.

Mas estava tudo bem, pois aquele que chegava pela passagem era Alexandre, o ladrão.

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Boa Leitura!

A Queda dos Deuses Antigos #8 – Batalha na Estrada – Ano da Queda, Yyrm


Já fazia algumas horas que o grupo havia percebido a presença dos inimigos. Não que fosse uma tarefa muito difícil, pois as tentativas de camuflagem dos trolls eram lamentáveis. Havia ao menos quatro deles e, de acordo com os conhecimentos que possuíam sobre tais criaturas, o trio não possuía a menor chance.

Criaturas horrendas e repugnantes, aproximadamente com dobro do tamanho de um ser humano normal, pele encaroçada e esverdeada e nariz enorme, os trolls são muitas vezes encontrados em grupos de caças nos arredores de pequenas estradas e vilas. Apesar de muito fortes e resistentes, esses gigantes não são muito inteligentes.

Loregan e os outros sabiam do perigo que os caçadores representavam e procuravam seguir em frente o mais rápido possível sem levantar suspeitas. Mesmo já tendo visto e ouvido as criaturas há muito tempo, seria suicídio demonstrar isso. Tudo o que podiam fazer era esperar que aparecessem alguns guardas ou que os trolls desistissem.

Mas nem um nem outro aconteceu. Após algumas horas de nervosismo, o primeiro ataque finalmente aconteceu. Uma lança passou a poucos centímetros da cabeça de Venathia, fazendo com que a jovem soltasse um grito. Enquanto os aventureiros preparavam suas armas, um grupo de cinco trolls armados com lanças e machados saiu do meio das árvores que beiravam a estrada.

Ficando de uns de costas para os outros, Venathia, Loregan e Alexandre esperavam pelos inimigos. Se lutando separados eles morreriam, ao menos assim poderiam lutar por suas vidas por alguns instantes a mais. Essa era a primeira batalha do grupo e, ao que tudo indicava também seria a última.

O maior dos trolls, provavelmente o líder, foi o primeiro a investir, brandindo seu machado em direção aos três. Se não fosse o aviso de Alexandre, não teriam sobrevivido ao primeiro golpe. Com sua adaga de ladrão, o humano aproveitou a brecha aberta pelo ataque da criatura e enfiou a pequena lâmina em sua barriga. A felicidade do garoto logo desapareceu, ao perceber que a ferida, já pequena, se fechava em instantes. Loregan lutava simultaneamente contra dois dos trolls, quase o tempo todo defendendo, sem ter tempo para realizar um ataque. Outro deles tentava agarrar a elfa, mas ela era rápida demais e golpeava as mãos do gigante com seu púgio, apesar de os ferimentos sempre se regenerarem. Estava claro que eles não agüentariam muito tempo mais desse jeito quando o último dos trolls arremessou sua lança contra Venathia. Loregan jogou-se na frente da arma, tendo o ombro direito perfurado pela ponta de metal e sendo empurrado para trás pela força do impacto. A elfa, assustada com o golpe, abaixou-se em direção ao amigo, sendo derrubada com um golpe na cabeça.

Agora todas as esperanças estavam perdidas.

Sunflower - Nícolas B./Túlio C.


The butterfly shines in the darkness
It brings the pollen of life
To create the new Homo mindless
Another Adam and his blood wife

Now Sunflower watches the iron cage
Where Skald twines the fate
The ending of the last page
The prophet is too late

Waiting for another day
Wishing for a there's no pay
While the web seeks your way

Our gods are crying
For the wasted years
This land is burning
With the human fears
The plan is sealed
With our last tears


Noite Sangrenta #28 – Em Cada Um – 786 d.Q., Tycon


Já era noite e a chuva parecia ficar cada vez mais forte. O bar do alojamento, apesar disso, estava relativamente cheio. Mais que metade das mesas estava ocupada com pessoas que comiam suas refeições em silêncio. Silêncio demais para uma taverna à noite.

Lyrot observava tudo com atenção da sua mesa. Sentado no canto, com o capuz mantendo o rosto oculto, o guerreiro esperava por algum sinal. A aura de maldade que inundava seus sentidos o deixava apreensivo, o tempo todo à espera de um ataque. Mais algumas horas assim e ele provavelmente sacaria seu machado ao menor sinal de movimento de uma garçonete qualquer. Ele não podia mais esperar, deveria começar agora mesmo, e se a chuva o atrapalharia a investigar lá fora, iniciaria a busca ali mesmo.

Levantando-se lentamente e tentando chamar o mínimo de atenção possível, Lyrot dirigiu-se ao balcão. Por mais que tentasse ser discreto, vários olhares se dirigiam ao ex-guardião, como se tivessem algum interesse nele. Parecia-lhe que todos ali o observavam atentamente. Nem mesmo foi necessário que Lyrot chamasse o taverneiro, já que até mesmo esse parecia atento ao guerreiro.

-O senhor poderia me dar algumas informações? – Perguntou Lyrot em voz baixa.

-Que tipo de informações você procura, andarilho? – Respondeu-lhe o homem, enquanto limpava uma caneca.

Lyrot sabia que muito cuidado era necessário agora. A palavra errada na frase errada poderia fazer o taberneiro ficar calado ou pior.

-Um amigo me disse que eu poderia encontrar filhos do abismo aqui nessa cidade...

O guerreiro interrompeu a frase no meio, algo no rosto do taverneiro tinha lhe causado uma sensação estranha. Uma movimentação súbita e quase que simultânea começou em toda a taverna. Todos ali se mexiam em suas cadeiras como que se preparando para se levantarem.

Agora Lyrot entendia. Toda aquela perversidade que ele sentia cercando-o agora fazia sentido. Ele não precisava mais procurar pelos demônios, pois eles já o haviam encontrado. E Lyrot não estava nem um pouco preparado para isso. Os avisos amedrontados de Nassar agora podiam ser compreendidos. Pois não era da cidade que vinha aquela aura maligna, mas sim de seus habitantes.

Tentando desesperadamente escapar do lugar, Lyrot correu para fora da taverna, sem ao menos olhar para trás. Virou em várias ruas para despistar seus perseguidores, até notar que não estava havia ninguém atrás dele. O guerreiro nem ao menos teve tempo para se perguntar por que o tinham deixado escapar quando percebeu a verdade.

Ele já estava cercado.

Um Poema Sobre Elfos

Bem, antes de iniciar esta postagem eu gostaria primeiro de me apresentar, poi eu acho de extrema necessidade. Meu nome é Alvaro eu sou o Bardo e esta vai ser a primeira de muitas histórias que eu contarei para voc~es espero que gostem e se quizerem conhecer outros trabalhos meus é só darem uma ohada no blog crônicas dos bardos das terras esquecidas um abraço e boa leitura!

Balada de Glorfindon


Nos verdes campos de Atergion
Morava um elfo ferreiro
de nome Glorfindon
de joias um poderoso refinador.

Em um outono belo.
Por Leowyn se apaixonou.
Seu coração imortal palpitou.
E a ela seu amor entregou.

Para provar sua devoção
em terras de escuridão
Buscou um minério raro.
Azul e belo como o horizonte.

Então no fogo ardente
e no tinir do martelo pulsante
Lapidou e formou belamente
Um anel que como estrela brilhava a noite.

Em cortejo pediu à Leowyn sua mão.
E ela com um sorriso retribuiu a paixão
E na primavera posterior.
Eles se uniram formando um só.

Mas triste é o desfecho dessa canção.
Pois uma batalha ameaçou essa paixão.
Mostrando que nem os elfos podem escapar.
Das lamurias que assolam as almas.

Em uma noite de grande lua.
A carruagem elfica se dirigia para Areliária.
Mas sua viajem foi interropida
Por um assalto que culminou em batalha.

Leowyn com o barulho chorava.
Enquanto Glorfindon a espada empunhava.
Orcs ateavam chamas e atacavam com massas.
No furor de uma batalha dramática.

Até o amanhecer perdurou o combate.
Elfos e orcs encontraram a morte.
No chão havia dor e sangue.
Mas a tristeza ainda seria mais forte.

Pois ao chegar em sua carruagem
Glorfindon chorou.
Ao ver o corpo da elfa que um dia amou.
Sabor amargo em seus labios provou.

E nem a lembrança de sua paixão.
Ficou em suas mãos.
Pois o anel de Leowyn na batalha foi perdido.
Levado por orcs ou furtado pelo destino.

E desse tempo até seu fim.
Chorou nas terras elficas de Aurim
Siliencioso e tão amargo.
Glorfindon o ferreiro solitário.

O Herdeiro#11 – Rumo ao Trono – 765 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."




Agora era apenas uma questão de tempo para que uma guerra entre elfos e drow começasse. O massacre em Zanir desencadearia uma sequência de batalhas entre as duas raças que, ao final, levariam ao confronto decisivo entre elas. E Azz sabia qual dos lados venceria.

Mas enquanto a guerra não começava, ele tinha outras coisas a fazer. Em breve, ele precisaria estar no comando de Zanir. E há séculos apenas sacerdotisas governavam a cidade. Não importava como, isso deveria mudar.

Azzwiters entrou no mesmo salão em que estivera antes da batalha. A sacerdotisa líder ainda se encontrava ali, desta vez analisando alguns pergaminhos.

-O que quer agora Azzwiters? – Perguntou ela se levantando da cadeira em que se encontrava. Um olhar apreensivo podia ser observado nos olhos dourados da drow, como se soubesse o que a esperava.

-Eu quero o que você tem. Zanir será minha e, em breve, toda a nação Drow. Infelizmente você não viverá para ver isso.

A sacerdotisa parou por um instante após ouvir a declaração do meio-demônio. Ela sabia que em combate direto, jamais conseguiria vencê-lo, seja por meio de luta ou magia. Sua última esperança era usar a cabeça.

-Você realmente acha que poderá me matar e depois simplesmente todos aceitarão seu domínio?

Mas Azzwiters tinha seus objetivos bem traçados. Meras palavras não seriam capazes de interrompê-lo agora que já estava se movendo em alta velocidade rumo ao seu reinado.

Com um movimento mais rápido do que a sacerdotisa pôde acompanhar, Azz cortou a cabeça da drow com um único golpe da Traiçoeira.

-Não se preocupe, - Disse ele após ter decepado a ex-governante – tenho uma profecia a meu favor.

A Queda dos Deuses Antigos #7 – Alexandre – Ano da Queda, Yyrm


O jovem ladrão deu um gemido quando Loregan o bateu contra a parede. O guerreiro e Venathia o haviam encontrado dentro da cabana mexendo em um armário. Antes que o garoto pudesse se defender, já estava imobilizado.
-Caramba! – Gritou o ladino – Dá pra me falar o que foi que eu fiz agora?
-Como “o quê”? – Indagou Loregan com raiva – Você está tentando fugir!

Por um instante o ladrão olhou com uma expressão confusa para os dois, tentando compreender o que estava se passando ali.

-Fugir? Por que eu fugiria? Eu já estou cansado de ficar fugindo de guardas só por ter roubado algumas talheres de prata. Toda essa coisa de Deuses me deixou interessado!

Loregan aos poucos foi reduzindo a força com que erguia o jovem. Ele parecia estar sendo sincero no que dizia. Aliás, um ladrão no grupo seria de grande valia.

-Espere – Interrompeu Venathia – Nós ainda não sabemos o seu nome.

-Ah, certo! Eu sou Alexandre Dugner.

Algo naquele nome fez com que Venathia parasse por um instante. Ela já tinha ouvido aquilo em algum lugar, só não podia se lembrar de onde.

-Dugner...

Tentando acelerar as coisas, Loregan interrompe o pensamento da elfa e, juntando suas coisas, diz:

-Bem, eu sou Loregan Vien’ac II e essa é Venathia. Agora que estamos devidamente apresentados, talvez devêssemos tentar cumprir nossa missão.

As palavras do guerreiro foram suficientes para lembrar os outros dois da importância do que estavam fazendo. O destino dos Deuses e, provavelmente de todo o mundo estava em jogo naquele instante. E eles nem ao menos sabiam por onde começar.

A jornada seria longa e difícil, mas para o trio, aventura era tudo o que buscavam.

Noite Sangrenta #27 – Lepport – 786 d.Q., Tycon


Lyrot podia sentir que havia algo de errado na cidade. As ruas bem organizadas de Lepport dirigiam-se ao centro, onde seus belos edifícios pareciam se concentrar. Pessoas de várias raças andavam com pressa. As construções se erguiam majestosamente por todos os lados. Comerciantes anunciavam seus produtos nas portas das lojas. À maioria, aquela pareceria uma cidade normal.

Mas alguma coisa fazia com que Lyrot tivesse uma má impressão sobre o lugar desde que adentrara seus portões. Cada som que ouvia nas ruas fazia com que o guerreiro se arrepiasse. As sombras que via com o canto dos olhos levavam-no a virar-se constantemente, esquivando-se de ataques inexistentes. Até mesmo a própria cidade emanava uma aura que o atormentava.

E a cada instante que se passava, essas sensações só aumentavam. Talvez, ele pensava, fosse apenas sua imaginação. Ninguém mais ali parecia estar tendo problemas com qualquer coisa do tipo. As pessoas seguiam seus caminhos sem se preocuparem com demônios ou fantasmas.

De certa forma, isso não era bom para Lyrot. Ele precisaria encontrar alguém que soubesse mais do que ele sobre todo aquele assunto. E o que quer que os cultistas estivessem fazendo, não parecia que fosse algo que chamasse muita atenção. O aviso de Nassar parecia completamente sem fundamentos agora que estava dentro de Lepport.

Novamente, pequenas gotas de chuva começaram a cair do céu. As pessoas se apressavam para chegarem aos lugares a que se dirigiam. Lyrot não encontraria nenhuma pista da organização enquanto não tivesse um plano, e a chuva não ajudava em nada. Foi com isso em mente que o guerreiro se dirigiu ao alojamento mais próximo.

O edifício apresentava três andares, que, a partir da base, iam diminuindo de tamanho. Assim que entrou no pequeno saguão de entrada, uma onda de calafrios percorreu o corpo de Lyrot. Aparentemente, não havia nada de suspeito naquele lugar, mas algo no guerreiro lhe dizia que havia algo estranho. E, durante os longos anos de trabalho como guardião, ele havia aprendido a confiar em seus instintos.

Afinal, toda aquela cidade parecia sombria e maligna. Cada pedra das ruas possuía uma aura de perversidade que nem mesmo o mais virtuoso cavaleiro poderia suportar. Para Lyrot, estava claro que os demônios estavam por trás disso. Só restava encontrar provas.

Enquanto esperasse o tempo melhorar, ele poderia pensar no que faria, e isso não seria fácil. Não havia nenhuma informação sobre onde poderia encontrar os cultistas e dificilmente encontraria alguém que soubesse de algo.

O único meio que conseguia pensar para descobrir algo, era perguntar. Só precisava saber para quem.

Noite Sangrenta #26 – O Caminho Para o Inferno – 786 d.Q., Tycon


Durante todo o tempo em que caminharam sob o céu chuvoso, nenhuma palavra foi dita. O modo como Nassar andava apenas deixava o ar mais denso. Passos furtivos de quem há muito se escondia de terrores inimagináveis. O tempo todo o arqueiro olhava atentamente para algum ponto no campo ao lado da estrada pensando ter visto algum movimento. Não havia dúvidas de que algo o perturbava.

Após o que pareceu a Lyrot uma eternidade caminhando na terra ainda molhada da estrada, Nassar finalmente parou. Com o olhar atento, ele diz:

-Acho que aqui está bom. Não teremos problemas com demônios por aqui se terminarmos rápido com isso.

O modo como Nassar foi direto ao ponto em questão surpreendeu Lyrot. Ele nem ao menos tinha dito o que exatamente estava querendo saber.

-Preciso que você me diga tudo o que sabe sobre Xt’Sarath e sobre os rituais para trazê-lo ao nosso mundo – Pediu Lyrot ao velho companheiro.

-Não adianta tentar – Declarou Nassar com um suspiro – O poder da Nevaeh é muito grande para que você possa impedir. Acredite no que eu digo, tudo o que conseguirá é atrair um destino tão terrível para si que eu não desejaria nem mesmo para meus inimigos.

-Eu preciso de sua ajuda, você é o único que pode me dar as informações de que preciso!

-Lyrot, eu mesmo estive envolvido na mesma caçada que você por vários anos, e tudo o que consegui foi dor, sofrimento e condenação – A face do arqueiro parecia adquirir um tom mais sombrio enquanto as lembranças viam à mente – Não há nada que possa ser feito.

-Você não entende! O destino da humanidade pode estar em jogo. E tudo o que você me diz é que não há nada que possa ser feito?

-Engraçado. Achei que você não se importasse tanto assim com a vida dos outros. É meio incoerente para um monstro assassino e sanguinolento, não acha? – O tom de sarcasmo era evidente na voz de Nassar – Ou talvez tenha algo mais por trás disso tudo. Quem sabe sua tão querida Kate?

O rosto de Lyrot ficava cada vez mais vermelho de raiva. Ele não podia acreditar que seu velho amigo tivesse mudado tanto. Pisando duro, volta a seguir a estrada dizendo:

-Ótimo, se não vai me ajudar, eu encontrarei a sede do culto sozinho.

-Se você realmente quer tão desesperadamente abraçar a morte, vá em frente. Basta seguir até Lepport, há 10 quilômetros daqui. Só não espere voltar algum dia.

Sem responder, Lyrot continuou pelo caminho, esperando que as palavras do amigo não fossem verdade.

O Herdeiro#10 – Massacre – 765 d.Q., Zacrest


Azzwiters deveria esperar que os elfos se aproximassem das muralhas da cidadela drow antes de se envolver em batalha. A ilusão que criara de si mesmo ainda estava em meio aos inimigos, e se o vissem ela seria desfeita. Claro que ao perceberem que foram traídos recuariam imediatamente.


O ataque seria claramente um massacre. O número de elfos-negros superava em muito o de atacantes, e ainda devem-se considerar as defesas da cidade. A decisão do líder élfico em organizar tal ataque havia sido uma loucura, e suas tropas sabiam disso. Com moral e números baixos, os elfos estavam fadados à morte.


A chuva de flechas começou assim que o primeiro soldado atacante chegou aos pés da muralha. E foi nesse mesmo instante que Azz pulou pela ameia do muro. Sua espada élfica reluzia refletindo a luz das tochas. Algo na lâmina clamava por batalha. E o Filho-do-Mal queria com toda sua vontade realizar tal desejo. Sua arma seria alimentada com o sangue de seus forjadores e antigos donos.


“Traiçoeira”, pensava Azz, esse seria o nome da espada que carregava. Criada por elfos, voltada contra os elfos. O drow podia sentir o poder que pulsava dentro do metal leve e trabalhado da arma. Um poder que ansiava por matar, provavelmente absorvendo os sentimentos de seu novo portador. E com ela, Azzwiters marcaria seu reino com sangue e guerra.


Durante horas o sangue élfico caiu sobre o solo subterrâneo. E durante horas Azzwiters girou sua Traiçoeira no campo de batalha. O meio-demônio era o terror da batalha, simplesmente cortando tudo o que via pela frente com a mesma facilidade com que se rasga uma folha de pergaminho. Não havia naquele confronto nenhuma força que pudesse ferir tal máquina de matar. Os atacantes caíam aos montes ao se aproximarem de Azz, um atrás do outro. E o guerreiro não parecia se cansar. Pelo contrário, a cada instante de luta suas energias pareciam renovadas.


Quando finalmente apenas um elfo restava, Azz aproximou-se da vítima. Ele sabia que ninguém atiraria no sobrevivente. Os drows tinham medo do Filho-do-Mal, e nenhum deles tiraria um alvo dele.


Mas para a tristeza de Azzwiters, seus planos o impediam disso. Aquele último elfo deveria viver, ao menos o suficiente para contar o restante de sua raça sobre o massacre que ocorrera na cidadela drow.


Com uma velocidade surpreendente, Azz aproximou-se do elfo remanescente e, enquanto ele fugia apavorado, disse-lhe:


-Dessa vez viverá, mas não terá a mesma sorte por muito mais tempo! Aliás, nenhum dos de sua raça...


E ao fazer tal afirmação, ficou um passo mais próximo de torná-la verdadeira.

Memórias de um Rei - Capítulo 5 - 112 D.C




-Droga!

O cervo olhou para trás e saiu correndo. Eu errara o alvo e o que deveria ser meu jantar agora estava a dezenas de metros de distância. Pelo jeito eu ficaria sem comer mais uma vez. Não sou bom com arcos. Nunca fui. Minha mira é péssima e não conseguiria derrubar um homem a 10 passos de distância nem se minha vida dependesse disso. Não. Meu lugar é na linha de frente, onde o ar cheira a suor e a morte está sempre esperando, um passo à frente.

Mas naquele dia eu não pensava nisso. Até porque a fome não me deixava pensar. Estava a uma semana comendo apenas raízes e frutas e minha barriga roncava. Cabisbaixo, caminhei em direção ao acampamento, pensando na reviravolta que acontecera em minha vida.

Duas semanas atrás, eu tinha casa, amigos e família. Agora, eu era um fugitivo, vivendo ao relento e tendo como única companhia a espada e o arco que eu roubara na cidade. Tudo acontecera muito rápido. Após a morte de Ralf, voltei para a cidade, acreditando que a verdade estava do meu lado e eu agira em legítima defesa. Mas, o que eu vi, escondido atrás de uma árvore, me fez perceber que eu não podia mais continuar ali. Toda a cidade estava na praça, a mesma praça em que eu tanto brincara quando criança. Mas dessa vez, ninguém brincava. A mãe de Ralf chorava, e as lágrimas escorriam por sua pele, formando uma poça no chão. Seu pai urrava e jurava vingança. O xerife gritava ordens, mandando homens a minha procura. Todos estavam contra mim. Apenas minha mãe se mantinha afastada num canto, os olhos inchados. Senti pena dela. Não tive culpa no que aconteceu, mas ela não merecia sofrer por minha causa. Prometi a mim mesmo que um dia voltaria e a levaria comigo.

Mas antes eu precisava fugir. Como todos estavam na floresta atrás de mim, não foi difícil me esgueirar e roubar um pouco de comida e algumas armas. Deixei um bilhete para minha mãe na sacada da janela e tomei rumo oposto a meus perseguidores. Dirigi-me para o norte, rumo às montanhas.

E ali estava eu. A comida roubada não durara mais de uma semana e foi pensando em voltar à cidade e pegar mais que me dirigi à fogueira. Mas de repente, um barulho de cascos e gritos me tirou do devaneio. Porque alguém havia me encontrado, e eu estava em apuros.

Noite Sangrenta #25 – Nassar – 786 d.Q., Tycon



A noite passou rapidamente para Lyrot. Os sons do vento forte não causavam medo no guerreiro e ele pode dormir tranquilamente. O tempo ainda estava chuvoso e uma leve garoa ainda caía das nuvens escuras. Mas não havia mais tempo a ser perdido. Ele deveria encontrar Nassar.

Já arrumado e com os poucos pertences em mãos, Lyrot desceu o pequeno lance de degraus fazendo com que a velha madeira da taverna rangesse a cada passo seu. A falta de luminosidade do dia chuvoso, em conjunto com a má iluminação da hospedaria, contribuía para dar uma aparência tenebrosa ao lugar.

Lyrot se dirigiu ao balcão próximo à entrada da taverna e pediu um pedaço de pão com cerveja. Enquanto esperava pela modesta refeição, o guerreiro começou a observar as poucas pessoas que ali estavam. Uma dupla de anões que nada falava, um grupo de mercadores que sussurravam próximos à lareira, um homem encapuzado sentado no canto...

A surpresa tomou conta do ex-guardião enquanto reconhecia os olhos e cabelos castanhos daquele homem misterioso. O formato do rosto, o mesmo estilo de se vestir de anos antes. A sorte parecia estar do lado de Lyrot.

-Nassar! – Exclamou o guerreiro aproximando-se da mesa do velho companheiro – Estava justamente te procurando.

O homem encapuzado olhou por um instante para aquele que se aproximava tão saudosamente e, após pouco tempo, pareceu reconhecer o guerreiro.

-Lyrot! – Respondeu descobrindo o rosto e levantando-se da cadeira. – O que o traz aqui? Não tem suas obrigações a cumprir com o Mestre? – O tom de sarcasmo era evidente na voz do arqueiro.

-Digamos que segui um caminho semelhante ao seu... Mas isso não importa, quero que me ajude com uma coisa. Algo que você conhece muito bem.

O rosto de Nassar Blomberg empalideceu em um segundo. Olhando em volta, ele cobriu novamente o rosto com o capuz escuro e voltou a sentar-se.

-Talvez não seja bom falarmos sobre isso aqui. Pode-se dizer que estou bastante encrencado com eles.

Deixando um punhado de moedas sobre a mesa e fazendo um sinal para o taberneiro, Nassar se levanta mais uma vez e sem olhar para Lyrot caminha para fora da taverna.

-Siga-me – Foi tudo o que disse antes de sair.

Noite Sangrenta #24 – Viajando – 786 d.Q., Tycon


O dia se arrastava longamente para Lyrot. As nuvens escuras e pesadas pairavam baixas no céu. O sol que já pouco iluminava, agora ia baixando no horizonte coberto de cinza. As sombras da noite aos poucos começavam a cobrir a terra de forma assustadora. Não havia sequer um sinal de que estivesse se aproximando de alguma cidade e, como estava a pé, a viagem seria penosa.

Após ter lido algumas partes do livro que encontrara no Mausoléu, as suspeitas de Lyrot se confirmaram. Grande parte do tomo continha uma série de rituais de invocações de demônios e outros seres das trevas. E dentre eles havia um que permitia abrir um portal para a passagem de Xt’Sarath. Se algo do tipo acontecesse, este mundo estaria fadado a um governo de morte e destruição sem precedentes.

E era por isso que Lyrot continuaria seu caminho, chovesse ou não. Ele deveria descobrir uma forma de eliminar a organização dos cultistas. E, se tudo corresse conforme o esperado, ele conseguiria encontrar sua irmã.

E uma coisa estava diferente para Lyrot agora. Parte dele aceitava o Lobo que existia dentro dele e, se fosse necessário, não hesitaria em usá-lo. A fada o havia convencido de que poderia controlar a Fera se treinasse bastante. E inimigos não faltariam para esse propósito.

As primeiras gotas de chuva começavam a cair na estrada de terra quando Lyrot finalmente avistou alguns pontos de luz ao longe. Provavelmente tratava-se de uma taverna de beira de estrada, o que caía muito bem para o guerreiro. Talvez fosse hora de parar para um descanso, ao menos até que a chuva passasse.

Enquanto corria, Lyrot fazia uma breve revisão de sua longa conversa com a ninfa na casa-na-árvore. Ela parecia realmente interessada em fazê-lo usar sua licantropia cada vez mais, e isso era muito estranho. Mas algo no jeito da criatura o fazia acreditar nela. E caso estivesse errado, provavelmente se arrependeria amargamente disso.

Após uma corrida exaustiva em meio à chuva, Lyrot conseguiu chegar à porta da hospedaria. O lugar parecia aconchegante, exceto pelas sombras das árvores que se agitavam por causa do vento, causando um efeito assustador.

O guerreiro passaria a noite ali. Só depois, ele poderia sair em busca daquele que o ajudaria a encontrar os cultistas. A única pessoa que Lyrot sabia que tinha conhecimento suficiente sobre demônios para dizer como impedir a vinda do Príncipe-Demônio ao mundo humano.

E o nome dessa pessoa era Nassar “Tiro-Certo” Blomberg.

Noite Sangrenta #23 – Visita Inesperada – 786 d.Q., Tycon


Já era meio da tarde quando Lyrot finalmente se entrou casa-na-árvore. Cansado dos últimos dias, o guerreiro ainda teria muito que fazer antes que pudesse deitar-se em uma cama. O terror que passara recentemente na mansão Greer, no pântano e no Mausoléu de Birk o atormentaria por várias noites tumultuadas. Isso quando ele finalmente pudesse descansar.

E esse momento não chegaria por um bom tempo. Agora que possuía o livro dos cultistas, ele tinha muito que pesquisar. Apesar de conhecer razoavelmente bem a linguagem antiga usada no tomo, Lyrot demoraria algum tempo para que pudesse compreender todo o seu conteúdo. E se quisesse encontrar a sua irmã, deveria fazer isso o mais cedo possível.

As últimas palavras de Bismor ainda ecoavam em sua mente quando o guerreiro colocou os pés no assoalho da casa. Algo grande estava para acontecer, e Lyrot tinha a impressão de que, o que quer que fosse, estava profundamente relacionado com Xt’Sarath. Ainda compenetrado em seus pensamentos, o ex-guardião sentou-se na velha cama sem perceber quem estava no cômodo esperando por ele.

-Vejo que está cansado, Lyrot – A voz parecia vinda das profundezas de um lago frio.

Com um susto, Lyrot se vira, puxando seu recém adquirido machado da cintura. Não demorou muito para que reconhecesse a fada que o ajudara a encontrar o Mausoléu.

-É normal depois de lutar com uma horda de zumbis mais um grupo de cultistas satânicos – A resposta seca de Lyrot fez com que uma cara de reprovação surgisse no rosto da ninfa.

-Que bom que você conseguiu eliminar a ameaça que corrompia a floresta. Mas acho que você já entendeu que o grupo do Mausoléu era apenas um ramo do carvalho. E quando descobrir o que está escrito naquele livro saberá o que fazer.

-Como sabe do livro? Andou mexendo nas minhas coisas?

-Na verdade eu já esperava que você o trouxesse. Digamos que foi “intuição”.

Lyrot não gostava nem um pouco de todo aquele ar misterioso da fada. Depois de ter descoberto que até mesmo um dos Guardiões estava a serviço do Príncipe-Demônio, aquela estranha criatura sobrenatural era uma grande suspeita. Aparentemente lendo seus pensamentos, a ninfa começou a falar:

-Não acredita que eu esteja tentando te ajudar? – O som suave da voz da criatura refrescava a alma de Lyrot como um banho de rio – Talvez ajude se eu te disser que com esse livro você poderá chegar até sua querida Kate...

A Queda dos Deuses Antigos #6 – Pedido – Ano da Queda, Yyrm


-Deixe-me ver se entendi bem, – a elfa parecia não acreditar muito naquela história – você, um Deus, está pedindo ajuda a nós, um trio que acabou de se conhecer, para que encontremos um meio de impedir que esses Novos Deuses tomem o poder?

Loregan não compreendia o que tanto intrigava a jovem. O Cavaleiro Radiante estava lhes pedindo auxílio e não deveriam recusar.

-Venathia, qual o problema com isso? É o mínimo que podemos fazer pelos nossos Deuses depois de tudo que nos deram!

O fervor do guerreiro pareceu mexer com Venathia. A idéia de que pudesse fazer algo importante pelos deuses que venerava era revigorante. Sir Kelmer, com sua voz calma interrompeu os pensamentos da garota.

-Partirei agora em busca de mais pessoas dispostas a ajudar. Que sua viagem seja cheia de glória.

Fazendo seu brilhante cavalo andar, quase sem tocar o solo, Sir Kelmer segue em direção à estrada, parando em frente à Loregan. Olhando por um instante para o guerreiro, o Deus da cavalaria declara, antes de retomar a marcha:

-Sua alma é cheia de coragem, jovem meio-elfo, e isso lhe trará um grande futuro. Saiba que um pedaço de mim sempre seguirá com você.

Após alguns instantes observando o cavaleiro afastar-se em direção à cidade, Loregan e Venathia olham um para o outro, com as mesmas perguntas passando pelas mentes dos dois aventureiros.

Aquela estranha conversa matinal parecia algo bastante irreal. Os dois se perguntavam silenciosamente se haveria realmente algo que pudessem fazer por Sir Kelmer e todos os outros Deuses.

De repente Loregan se levanta, lembrando-se de algo que, já há algum tempo, não pronunciava palavra alguma nem estava onde deveria estar. O jovem ladrãozinho que haviam capturado.

Noite Sangrenta #22 – Nova Caça – 786 d.Q., Tycon

A porta dupla do salão se abriu com um estrondo. Lyrot entrou pisando forte, a cabeça cheia de hipóteses e teorias. A imagem do terrível demônio ainda preenchia sua mente, terrível e ameaçador. O livro estava guardado em sua casa para que fosse analisado depois, mas era como se estivesse aberto na sua frente, mostrando todas aquelas imagens cheias de sangue e dor.

O guardião percorreu toda a extensão do salão até se aproximar do trono do Conde. Sem maiores cerimônias, Lyrot soltou a cabeça de Bismor Morte-Negra aos pés do seu senhor.

-A missão foi terminada – Disse o guardião, sem tirar os olhos do Conde – Bismor liderava um grupo de cultistas que causavam as perturbações de que o senhor falou. Todos foram eliminados e em breve tudo voltará ao normal.

Sem se incomodar com o crânio manchando seu tapete, o Conde de Tycon fala com um tom de orgulho:

-É por isso que você é um dos meus favoritos, Lyrot. Quando te peço para fazer alguma coisa você faz. Seu poder me surpreende cada dia mais.

-Então por que não me ajuda a encontrar minha irmã como prometeu? A cada dia que passa tudo o que eu recebo são mais e mais mortes para carregar em minhas costas enquanto Kate continua perdida.

-Não diga isso, Lyrot. Você sabe tanto quanto eu que eu tenho tentado o máximo possível, mas meus esforços parecem não ser o suficiente...

O guardião sabia o quanto aquilo era mentira. Cada palavra do nobre ameaçava a tênue barreira que segurava a raiva de Lyrot.

-Talvez nós estejamos errados – Foi a frase menos ofensiva que conseguiu dizer. Para ele não faria mais diferença o que o Conde pensava. O desejo de Lyrot era nunca mais ver aquele homem em sua frente. Havia decidido que se quisesse encontrar Kate, teria que fazer isso com suas próprias mãos – Vou me retirar agora.

Sem esperar uma resposta do Conde, Lyrot virou-se e saiu a passos largos do salão. Agora, ele voltaria para casa. E, sem o Conde em seu caminho, ele só tinha que se concentrar em encontrar sua irmã. E a única pista que tinha no momento era o livro.

Ele não tinha aliados em quem confiar, não tinha senhores a quem servir, nem tropas a comandar. Tudo o que estava ao seu alcance era sua força de vontade e seu poder. E seria o suficiente para causar um bom estrago.

A caça começava agora.

O Herdeiro#9 – Preparando-se Para o Confronto – 765 d.Q., Zacrest


A enorme porta de ferro se abriu com um estrondo. Sem olhar para os lados, Azzwiters entrou pelo portal, dirigindo-se à sacerdotisa líder.

-Os elfos estão se preparando para um ataque, senhora. Suas forças estão organizadas e uma tropa se dirige imediatamente à nossa cidade.

-Azzwiters! – exclamou a drow com surpresa – Achei que havia morrido na batalha. Nós perdemos comunicação com toda a tropa.

A sacerdotisa sabia que o drow-demônio tinha algo a ver com aquela história, mas não podia fazer nada.

-Nosso grupo foi massacrado na batalha – disse Azz – A cidade élfica foi protegida magicamente, o que nos impediu de fugir. Por sorte consegui me esconder enquanto observava o inimigo.

A sacerdotisa poderia acreditar em Azzwiters ou não, mas tinha acabado de receber a notícia de que tropas élficas marchavam nas redondezas da cidade. Isso exigiria uma reação imediata, e o Filho-do-Mal deveria esperar por um julgamento mais adequado.

O drow agora havia sido liberado para se preparar para a batalha. Com sua nova espada, Azz se dirigiu à muralha, de onde poderia ver a batalha de camarote e, cedo ou tarde, se envolveria em combate com os invasores élficos.

Podia lhe parecer estranho agora ele ter passado tanto tempo em meio aos elfos, mas segundo a velha profetisa, isso seria necessário para que o trono fosse seu. Azzwiters tinha se acostumado a confiar naquela velha senhora.

Agora, finalmente, Azz poderia eliminar aqueles malditos elfos da superfície que durante meses o incomodaram. Sua sede de morte seria satisfeita em apenas algumas horas.

O som de uma trombeta ecoou nos corredores rochosos da caverna. Um som forte e claro, usado pelos drows para simbolizar perigo.

O inimigo estava chegando.

Noite Sangrenta #21 – Revelação – 786 d.Q., Tycon


O cheiro de morte ainda pairava no ar dentro do Mausoléu de Birk, tanto dos velhos corpos apodrecendo nos sarcófagos quanto dos novos caídos em poças de sangue. A batalha com o lobisomem parecia ter sido intensa e sanguinolenta. E Lyrot agradecia por isso.

No centro da sala de pedra, havia o que se podia chamar de um altar improvisado. Um manto negro e surrado repousava sobre o caixão principal, provavelmente o do próprio Birk. Sobre ele podiam-se ver instrumentos que pareciam saídos do pesadelo de um torturador psicopata. Vasilhas com substâncias pastosas e avermelhadas completavam a cena juntamente com um velho livro aberto no meio.

Lyrot imediatamente foi em direção ao tomo, que possuía uma capa velha de couro que podia muito bem ter sido retirada de um volume de antes da Queda. Suas palavras, apesar de parecerem estranhas e alienígenas à maioria dos seres humanos, eram familiares ao guardião. Seus anos a serviço do Conde requisitaram mais do que apenas músculos para que chegasse vivo até aqui.

Folheando o tomo, Lyrot via figuras de símbolos ritualísticos e ilustrações de criaturas tão assustadoras que seria perigoso até mesmo descrevê-las. Aos poucos, o guardião foi compreendendo o que desejavam os cultistas. Todos aqueles rituais satânicos, a corrupção da floresta, uma horda de mortos-vivos, levavam-no a crer que talvez realmente não pudesse mudar o que viria.

Uma organização muito maior do que aquele pequeno grupo que enfrentava ali estava envolvida no assunto. As reais proporções do problema começavam a tornar-se claras a cada folha do livro que Lyrot virava. Citações de locais profanos, templos amaldiçoados, guerras criadas pelos cultistas. Cada vez mais, parecia-lhe que estava lutando uma batalha perdida.

Mas a lembrança de Kate o mantinha no caminho. Sua irmã seria resgatada, nem que tivesse que desafiar o céu e o inferno no processo. E provavelmente pelo menos o último teria que enfrentar.

Uma das últimas páginas do livro, tão amarelada e velha como as demais, chamou a atenção especialmente do guerreiro. Não que aparentasse ter sido mais manuseada, ou estivesse suja de sangue. A questão era a figura que aparecia no topo da página.

A figura do Príncipe-Demônio mais lendário de que já ouvira falar: Xt’Sarath, O Vermelho.