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Boa leitura!

A Queda dos Deuses Antigos #4 – O Cavaleiro Radiante – Ano da Queda, Yyrm


Ao lado da cabana, andando pelo campo, estava ele. Feito de luz pura, o cavaleiro vestia uma armadura prateada e portava um escudo com o desenho de uma asa. O mesmo desenho repetia-se na capa dourada do cavalo, um belo alazão branco. A figura parou ao notar as três pessoas que o observavam.

Dirigindo sua montaria até onde os observadores se encontravam, próximos à porta do casebre, o cavaleiro levantou a mão em saudação. Os passos do cavalo eram graciosos e não produziam som algum, como se fosse constituído de ar.

Os jovens aventureiros estavam estonteados com a visão. A beleza e imponência do cavaleiro simplesmente os impedia de fazer qualquer coisa exceto mexer a boca desordenadamente.

Com uma voz que, apesar de forte como um trovão, causava um grande sentimento de paz interior, o cavaleiro perguntou:

-Algum de vocês poderia me informar qual é o nome do reino em que estamos?

Nesse instante um arrepio percorreu o corpo de Loregan. Agora ele sabia quem era aquele cavaleiro luminoso que estava diante do trio. Ele podia facilmente reconhecer aquela armadura, aquela asa...

-Você... Cavaleiro... Radiante... – Balbuciou o jovem guerreiro.

-É claro que ele é um cavaleiro radiante! – Sussurrou Venathia – Todos nós estamos vendo isso.

-Ajoelhem-se – Loregan parecia estar variando entre temor e deslumbre pela figura – Ajoelhem-se, pois este é Sir Kelder, Deus da Cavalaria!

O Herdeiro#7 – O Poder do Maldito – 761 d.Q., Zacrest


A velha olhou para ele. Seus olhos que já não possuíam cor pareciam fitá-lo, embora já não pudessem ver. Servindo mais uma taça de vinho ao guerreiro-demônio, a profetisa sentou-se novamente na poltrona que aparentava ter a mesma idade que sua dona.

-Mas diga-me, o que faz essa tal Coroa para que seja tão importante sua aquisição? – Perguntou-lhe Azzwiters.

-Jovem cria do Inferno, A Coroa do Maldito tem muito mais poder do que eu poderia te dizer em uma noite. A magia contida em tal artefato ultrapassa as capacidades de qualquer mortal – A velha drow demonstrava possuir uma voz clara e limpa, o que era um feito para sua idade.

-E como conseguirei obter tal objeto? Seu atual usuário deve ser capaz de me transformar em pó com apenas um gesto!

-Não seja tolo, Azzwiters Filho-do-Mal, tamanho poder não pode vir de graça. O preço pago por quem usufrui das capacidades da Coroa é tão alto, que muitos morrem apenas de tocar o metal negro de que é composta. O artefato é mantido intacto há décadas, em uma pequena vila élfica não muito longe daqui.

Aquela conversa já estava levando tempo demais. Já fazia horas que a velha estava dizendo-lhe o que deveria fazer para que a profecia se cumprisse. Azz estava cansado daquela sala escura e fechada e cheiro de incenso o irritava.

-Mas quando você puser as mãos na Coroa... – A profetisa interrompeu os pensamentos de Azzwiters – Você terá dado o passo mais importante em direção ao reinado do Mal. A cada dono que a Coroa possui, parte das habilidades e magia do usuário passam para o artefato de forma irreversível. Assim que o metal tocar sua cabeça, sua haste desaparecerá e o item será parte de você até que a morte o encontre. Isso, é claro, inclui todo o poder da Coroa.

Agora as coisas pareciam mais interessantes. Segundo a profetisa, alguns dos magos e feiticeiros mais poderosos que já existiram portaram a Coroa do Maldito ao menos durante uma batalha. O poder que se encontrava encerrado naquele objeto o levaria facilmente ao trono.

-O que devo fazer depois? – Azzwiters finalmente via o caminho à sua frente.

Um sorriso apareceu nos lábios secos da velha.

-Mate todos os drow que estiverem na vila...


"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."

Noite Sangrenta #15 – Terra Morta – 786 d.Q., Tycon

Lyrot lembrava-se muito bem de quando brincava naquela floresta com sua irmã. Nunca houvera nenhum pântano naquela região. E mesmo como guardião já estivera muitas vezes realizando missões naquelas redondezas. Algo tinha feito com que as coisas mudassem muito por ali.

O cheiro de podridão agora pairava no ar, fazendo com que o guerreiro sentisse enjôos. Enquanto a água escura subia cada vez mais de nível, seres rastejavam por entre suas pernas. Mosquitos voavam em bandos ao seu redor, tornando o lugar apenas mais desagradável. As árvores retorcidas e estranhas do pântano pareciam versões macabras daquelas encontradas na floresta mais atrás. Todo o local parecia ter sido retorcido.

Lembranças das árvores verdes e vivas que costumavam tornar aquele local tão vibrante invadiam a mente de Lyrot. Aquela parte da floresta era onde costumava ir para fugir de seus problemas. As plantas e animais que ali habitavam inspiravam um sentimento de reconforto no guardião. Mas agora tudo o que sentia ao olhar para aquele cenário era uma repulsa. Um sentimento cada vez maior de tristeza e desespero.

O ar fétido do pântano desanimava o guardião gradualmente, afetando o guerreiro sem que ele percebesse. Depois de horas andando naquela paisagem sombria, o coração de Lyrot sentia-se triste e solitário.

Por um instante o guerreiro pensou em parar, mas a lembrança do que o levava até ali reanimou suas forças. Ele teria Kate de volta, nem que tivesse que passar o resto de sua vida naquele lugar. Cada vez mais, Lyrot sentia sua raiva pelos responsáveis por tudo isso aumentar em seu interior. Aqueles que fizeram tal atrocidade com a floresta deveriam pagar, e o preço não seria barato. Para o guardião aquele era apenas um ponto a mais na lista de crimes dos cultistas.

Talvez fosse por causa disso que a fada se interessava tanto no sucesso da missão. Afinal, sendo ela supostamente uma criatura protetora da floresta, desejaria que tudo voltasse ao normal. A possibilidade parecia passar longe de ser aceitável para Lyrot, mas isso não importava agora.

O guardião estava mais preocupado com as centenas de corpos que jaziam nas águas lamacentas do pântano.