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A Queda dos Deuses Antigos #10 – Fuga da Gruta – Ano da Queda, Yyrm




-Ele vai ficar bem? – Perguntou Venathia. Os irmãos que partilhavam a gruta com ela e Alexandre tentavam improvisar um curativo para Loregan. O ferimento causado pela lança era grava, mas com um tratamento adequado ele viveria.

Alexandre tinha acabado de contar à elfa como conseguira escapar dos trolls quando ela e Loregan desmaiaram, segui-los escondido e entrar escondido na gruta. Pelo que o ladino contara, havia algo organizando os monstros, o que dificultava a fuga. Mas agora eles tinham a ajuda de mais dois membros no grupo.

Pelo que conversaram, os dois eram clérigos da cidade próxima de Scion e estavam investigando as estranhas luzes quando foram capturados. Ambos pareciam pessoas extremamente gentis e estavam dispostos a ajudar, até mesmo porque também estavam presos.

A garota, de longos cabelos loiros e profundos olhos azuis, possuía uma fala mansa, que acalmava o espírito das pessoas. Seu nome era Jessica. Já o irmão, Jeremy, possuía cabelos pretos e os mesmos olhos que a irmã. Seu jeito era animado e temperamental, espalhando energia para aqueles que o cercavam.

Todo o tempo os dois trabalhavam com sincronia perfeita, quase sem trocar palavras, como se fizessem aquilo há anos. Não levou muito tempo para que tivessem terminado o curativo. Agora deveriam encontrar um jeito de sair dali antes que algum troll decidisse verificar os prisioneiros.

As opções eram poucas. Com um membro ferido e inconsciente no grupo, seria impossível se deslocarem rapidamente e, apesar de não muito inteligentes, os trolls possuem sentidos aguçados. O melhor que podiam fazer é tentar a sorte e sair furtivamente.

Caminhando lentamente, Alexandre seguiu à frente do grupo, demonstrando habilidade e destreza ao abrir as portas sem produzir ruídos. O local parecia uma mescla de grutas naturais com caminhos escavados, provavelmente utilizado apenas para estoque e alojamento temporário. Pouco tempo havia se passado quando o grupo chegou à porta de saída da masmorra.

Alexandre parou em frente à porta de madeira e olhou interrogativamente para o resto do grupo. A partir de quando a porta fosse aberta, não seria possível voltar atrás. E dificilmente os trolls os deixariam vivos uma segunda vez, caso os pegassem. Uma a um, todos balançaram a cabeça em confirmação e, dando um último suspiro, o ladino puxou a maçaneta.

A Queda dos Deuses Antigos #9 – Presos na Gruta – Ano da Queda, Yyrm




Quando Venathia recobrou a consciência, a primeira coisa que sentiu foi uma forte dor na nuca. Com a visão um pouco embaçada devido ao golpe que levara na cabeça, a elfa tentou descobrir aonde se encontrava. O local era um tipo de gruta, tendo como única saída uma passagem escura e ascendente. Conforme se concentrava no ambiente ao seu redor, a caçadora notava que também havia mais três pessoas ali, e que todas, inclusive ela mesma, estavam presas por correntes.

-Tudo bem com você? – Perguntou uma voz feminina vinda de um dos companheiros de prisão.

Venathia sentou-se enquanto tentava encontrar um jeito de soltar as correntes. Havia um buraco para uma chave no cadeado que prendia a corrente a um elo no solo. Sem olhar para a humana que havia lhe feito a pergunta, respondeu:

-Sim, obrigada. O que está acontecendo aqui?

-Pelo visto nós serviremos de sacrifício ao deus maligno deles – Dessa vez quem respondeu foi um homem que estava sentado próximo à jovem que falara antes – Parece que ele os abandonou.

-Não adianta – Disse a humana ao notar que Venathia continuava a analisar o cadeado – Não conseguirá se libertar. E mesmo que conseguisse, como fugiria? Não percebeu o quanto os trolls são poderosos da última vez?

De repente uma lembrança passou pela mente da elfa. A imagem de Loregan sendo atingido pela lança causou uma reação de agitação na jovem, fazendo com que olhasse rapidamente à volta. Seus olhos élficos rapidamente pousaram sobre o último corpo que estava naquela gruta.

-É seu amigo? – Perguntou o homem – Por sorte ainda está vivo, mas não deve continuar assim por muito tempo. Se eu e minha irmã estivéssemos livres, poderíamos ajudar, mas não conseguimos chegar até ele. Mas não importa muito, daqui a pouco todos estaremos mortos de qualquer forma...

De repente algo fez com que os três parassem de falar e ficassem atentos. Um som de rangido tinha se espalhado por toda a gruta. Com o coração saltando pela garganta, Venathia se levanta, escondendo-se atrás de uma estalagmite.

Mas estava tudo bem, pois aquele que chegava pela passagem era Alexandre, o ladrão.

A Queda dos Deuses Antigos #8 – Batalha na Estrada – Ano da Queda, Yyrm


Já fazia algumas horas que o grupo havia percebido a presença dos inimigos. Não que fosse uma tarefa muito difícil, pois as tentativas de camuflagem dos trolls eram lamentáveis. Havia ao menos quatro deles e, de acordo com os conhecimentos que possuíam sobre tais criaturas, o trio não possuía a menor chance.

Criaturas horrendas e repugnantes, aproximadamente com dobro do tamanho de um ser humano normal, pele encaroçada e esverdeada e nariz enorme, os trolls são muitas vezes encontrados em grupos de caças nos arredores de pequenas estradas e vilas. Apesar de muito fortes e resistentes, esses gigantes não são muito inteligentes.

Loregan e os outros sabiam do perigo que os caçadores representavam e procuravam seguir em frente o mais rápido possível sem levantar suspeitas. Mesmo já tendo visto e ouvido as criaturas há muito tempo, seria suicídio demonstrar isso. Tudo o que podiam fazer era esperar que aparecessem alguns guardas ou que os trolls desistissem.

Mas nem um nem outro aconteceu. Após algumas horas de nervosismo, o primeiro ataque finalmente aconteceu. Uma lança passou a poucos centímetros da cabeça de Venathia, fazendo com que a jovem soltasse um grito. Enquanto os aventureiros preparavam suas armas, um grupo de cinco trolls armados com lanças e machados saiu do meio das árvores que beiravam a estrada.

Ficando de uns de costas para os outros, Venathia, Loregan e Alexandre esperavam pelos inimigos. Se lutando separados eles morreriam, ao menos assim poderiam lutar por suas vidas por alguns instantes a mais. Essa era a primeira batalha do grupo e, ao que tudo indicava também seria a última.

O maior dos trolls, provavelmente o líder, foi o primeiro a investir, brandindo seu machado em direção aos três. Se não fosse o aviso de Alexandre, não teriam sobrevivido ao primeiro golpe. Com sua adaga de ladrão, o humano aproveitou a brecha aberta pelo ataque da criatura e enfiou a pequena lâmina em sua barriga. A felicidade do garoto logo desapareceu, ao perceber que a ferida, já pequena, se fechava em instantes. Loregan lutava simultaneamente contra dois dos trolls, quase o tempo todo defendendo, sem ter tempo para realizar um ataque. Outro deles tentava agarrar a elfa, mas ela era rápida demais e golpeava as mãos do gigante com seu púgio, apesar de os ferimentos sempre se regenerarem. Estava claro que eles não agüentariam muito tempo mais desse jeito quando o último dos trolls arremessou sua lança contra Venathia. Loregan jogou-se na frente da arma, tendo o ombro direito perfurado pela ponta de metal e sendo empurrado para trás pela força do impacto. A elfa, assustada com o golpe, abaixou-se em direção ao amigo, sendo derrubada com um golpe na cabeça.

Agora todas as esperanças estavam perdidas.

A Queda dos Deuses Antigos #7 – Alexandre – Ano da Queda, Yyrm


O jovem ladrão deu um gemido quando Loregan o bateu contra a parede. O guerreiro e Venathia o haviam encontrado dentro da cabana mexendo em um armário. Antes que o garoto pudesse se defender, já estava imobilizado.
-Caramba! – Gritou o ladino – Dá pra me falar o que foi que eu fiz agora?
-Como “o quê”? – Indagou Loregan com raiva – Você está tentando fugir!

Por um instante o ladrão olhou com uma expressão confusa para os dois, tentando compreender o que estava se passando ali.

-Fugir? Por que eu fugiria? Eu já estou cansado de ficar fugindo de guardas só por ter roubado algumas talheres de prata. Toda essa coisa de Deuses me deixou interessado!

Loregan aos poucos foi reduzindo a força com que erguia o jovem. Ele parecia estar sendo sincero no que dizia. Aliás, um ladrão no grupo seria de grande valia.

-Espere – Interrompeu Venathia – Nós ainda não sabemos o seu nome.

-Ah, certo! Eu sou Alexandre Dugner.

Algo naquele nome fez com que Venathia parasse por um instante. Ela já tinha ouvido aquilo em algum lugar, só não podia se lembrar de onde.

-Dugner...

Tentando acelerar as coisas, Loregan interrompe o pensamento da elfa e, juntando suas coisas, diz:

-Bem, eu sou Loregan Vien’ac II e essa é Venathia. Agora que estamos devidamente apresentados, talvez devêssemos tentar cumprir nossa missão.

As palavras do guerreiro foram suficientes para lembrar os outros dois da importância do que estavam fazendo. O destino dos Deuses e, provavelmente de todo o mundo estava em jogo naquele instante. E eles nem ao menos sabiam por onde começar.

A jornada seria longa e difícil, mas para o trio, aventura era tudo o que buscavam.

A Queda dos Deuses Antigos #6 – Pedido – Ano da Queda, Yyrm


-Deixe-me ver se entendi bem, – a elfa parecia não acreditar muito naquela história – você, um Deus, está pedindo ajuda a nós, um trio que acabou de se conhecer, para que encontremos um meio de impedir que esses Novos Deuses tomem o poder?

Loregan não compreendia o que tanto intrigava a jovem. O Cavaleiro Radiante estava lhes pedindo auxílio e não deveriam recusar.

-Venathia, qual o problema com isso? É o mínimo que podemos fazer pelos nossos Deuses depois de tudo que nos deram!

O fervor do guerreiro pareceu mexer com Venathia. A idéia de que pudesse fazer algo importante pelos deuses que venerava era revigorante. Sir Kelmer, com sua voz calma interrompeu os pensamentos da garota.

-Partirei agora em busca de mais pessoas dispostas a ajudar. Que sua viagem seja cheia de glória.

Fazendo seu brilhante cavalo andar, quase sem tocar o solo, Sir Kelmer segue em direção à estrada, parando em frente à Loregan. Olhando por um instante para o guerreiro, o Deus da cavalaria declara, antes de retomar a marcha:

-Sua alma é cheia de coragem, jovem meio-elfo, e isso lhe trará um grande futuro. Saiba que um pedaço de mim sempre seguirá com você.

Após alguns instantes observando o cavaleiro afastar-se em direção à cidade, Loregan e Venathia olham um para o outro, com as mesmas perguntas passando pelas mentes dos dois aventureiros.

Aquela estranha conversa matinal parecia algo bastante irreal. Os dois se perguntavam silenciosamente se haveria realmente algo que pudessem fazer por Sir Kelmer e todos os outros Deuses.

De repente Loregan se levanta, lembrando-se de algo que, já há algum tempo, não pronunciava palavra alguma nem estava onde deveria estar. O jovem ladrãozinho que haviam capturado.

A Queda dos Deuses Antigos #5 – Guerra Divina – Ano da Queda, Yyrm


Os três companheiros estavam espantados com a descoberta. Não é todo dia que se vê um Deus pessoalmente e eles estavam frente a frente com um dos mais influentes deles. Sir Kelder, O Radiante, era uma das mais respeitáveis e confiáveis divindades de todo o Panteão. Mas o que levaria uma figura tão importante a vagar pelo mundo sem nem mesmo saber onde estava?

-Me desculpe senhor, – Venathia foi a primeira a falar – mas o senhor não deveria saber o nome dos reinos?

Loregan olhou para a jovem como se ela estivesse insultando o nome do cavaleiro, mas antes que falasse qualquer coisa, Sir Kelmer respondeu à garota com uma voz forte e ao mesmo tempo macia.

-Acredito que não farei mal em lhes contar isso. Há uma guerra divina acontecendo. Uma guerra em proporções nunca antes vista.

-Guerra? – disse o mais novo membro do grupo – Não estou sabendo de nada a respeito.

-Até ontem, tudo estava acontecendo às escondidas. Faz apenas alguns dias que surgiu um grupo de criaturas querendo subir ao posto de divindades, derrubando os atuais membros do Panteão no processo. Nós não levamos os avisos desse grupo, que se auto-intitula Os Novos Deuses, muito a sério. E, na tarde passada, o primeiro ataque aconteceu. Eu fui um dos primeiros a cair.

Loregan parecia incrédulo. Como seria possível que Sir Kelder caísse em uma batalha contra alguém que nem ao menos tivesse poderes divinos?

-Como eles...

-Como eles me venceram? – O Cavaleiro Radiante não parecia se envergonhar em dizer isso – Segundo os próprios Novos Deuses, eles conseguiram descobrir uma forma de retirar o poder divino de qualquer criatura. Não faço idéia de como fazem isso, mas no momento estou praticamente mortal.

-Praticamente? – Perguntou Loregan – Como alguém pode ser praticamente mortal?

-Apesar de estar preso nesse corpo mortal, eu posso sentir que parte dos meus poderes permanece comigo. Apesar de ser apenas uma pequena parcela das minhas capacidades originais, eu acredito que seja o suficiente para que eu encontre um grupo de aventureiros dispostos a me ajudar.

-Você disse “aventureiros”? – Perguntou Venathia.

A Queda dos Deuses Antigos #4 – O Cavaleiro Radiante – Ano da Queda, Yyrm


Ao lado da cabana, andando pelo campo, estava ele. Feito de luz pura, o cavaleiro vestia uma armadura prateada e portava um escudo com o desenho de uma asa. O mesmo desenho repetia-se na capa dourada do cavalo, um belo alazão branco. A figura parou ao notar as três pessoas que o observavam.

Dirigindo sua montaria até onde os observadores se encontravam, próximos à porta do casebre, o cavaleiro levantou a mão em saudação. Os passos do cavalo eram graciosos e não produziam som algum, como se fosse constituído de ar.

Os jovens aventureiros estavam estonteados com a visão. A beleza e imponência do cavaleiro simplesmente os impedia de fazer qualquer coisa exceto mexer a boca desordenadamente.

Com uma voz que, apesar de forte como um trovão, causava um grande sentimento de paz interior, o cavaleiro perguntou:

-Algum de vocês poderia me informar qual é o nome do reino em que estamos?

Nesse instante um arrepio percorreu o corpo de Loregan. Agora ele sabia quem era aquele cavaleiro luminoso que estava diante do trio. Ele podia facilmente reconhecer aquela armadura, aquela asa...

-Você... Cavaleiro... Radiante... – Balbuciou o jovem guerreiro.

-É claro que ele é um cavaleiro radiante! – Sussurrou Venathia – Todos nós estamos vendo isso.

-Ajoelhem-se – Loregan parecia estar variando entre temor e deslumbre pela figura – Ajoelhem-se, pois este é Sir Kelder, Deus da Cavalaria!

A Queda dos Deuses Antigos #3 – Um Novo Viajante – Ano da Queda, Yyrm

Os primeiros raios de sol ainda começavam a aparecer quando a porta da cabana se abriu com força. Venathia levantou-se rapidamente. Os anos de aventuras vividos como caçadora fizeram com que tivesse um sono leve e estivesse sempre preparada para o perigo.

Mas a pessoa que tinha acabado de entrar parecia tão espantada quanto ela. O homem que só percebera a elfa após fechar a porta, agora olhava para ela paralisado. O jovem, que não aparentava ter mais do que 17 anos, possuía o cabelo castanho sujo e bagunçado. Suas roupas eram leves e permitiam uma movimentação rápida.

Mesmo isso não foi suficiente para que conseguisse fugir. No momento em que o garoto fez seu primeiro movimento, uma flecha da elfa prendeu a mão do invasor na porta da cabana.

O grito de dor do jovem finalmente foi capaz de acordar Loregan. O guerreiro levantou-se sem entender o que estava acontecendo, até que viu que havia alguém a mais na sala do que quando foi para a cama na noite passada. Quando finalmente pegou sua espada, ajudou Venathia a amarrar o invasor, que choramingava de dor, em uma cadeira.

Firmemente preso, o garoto começou a ser interrogado:

-Quem é você e o que estava querendo aqui dentro? – Perguntou a elfa, enquanto brincava ameaçadoramente com uma adaga.

-Por favor! Não me mate! – O jovem parecia realmente desesperado – Eu só ‘tava me escondendo!

-Isso não responde minha pergunta! Espera aí... – A adaga agora estava bem mais próxima do pescoço do garoto – Escondendo de quê?

-Não me machuca, dona! Pode me prender mas não me machuca mais! Eu só ‘tava fugindo dos guardas! Só porque eu roubei a casa do oficial eles ficaram nervosos

A caçadora parou por uns instantes. Quer dizer que eles tinham pegado um ladrão. Isso poderia ser útil de alguma forma.

-Vou deixar que você faça a escolha: – disse a elfa – ou nós te entregamos ao primeiro guarda que encontrarmos, ou você passa a nos acompanhar em nossa viagem.

Loregan, que até então estava quieto, perguntou repentinamente da janela:

-O que é aquilo lá fora?

A Queda dos Deuses Antigos #2 – Na Cabana – Ano da Queda, Yyrm


As luzes continuaram por um bom tempo. Loregan nunca tinha visto algo do tipo em toda a sua vida, nem mesmo nas histórias de seu pai. Pensando nisso, o jovem aventureiro começa a se preocupar com o velho cavaleiro. Mesmo tendo sido treinado para combate na sua juventude, Sir Loregan já estava idoso demais para agüentar uma batalha prolongada.

Enquanto estava perdido em seus pensamentos, a elfa entra na cabana carregando alguns coelhos no braço. Fazia apenas alguns minutos que os dois tinham decidido procurar algum lugar para passarem a noite. Não tinha levado muito tempo para que encontrassem o velho casebre na beira da estrada. Apesar de o lugar parecer ter sido abandonado há pouco tempo, estava relativamente limpo e arrumado.

-Uau! Você é realmente boa nisso! – disse Loregan, encantado com a velocidade em que a garota conseguira a caça.

-Eu sou uma caçadora. E o nome é Venathia. – respondeu a elfa corando um pouco com o elogio.

-E o meu é Loregan.

Após um instante de silêncio, os dois começaram a preparar a refeição, sem dizer nenhuma palavra um para o outro. Os clarões ainda iluminavam o céu de vez em quando, mas, para eles, esse era um assunto que não importava no momento.

A Queda dos Deuses Antigos #1 – Fogos no Céu – Ano da Queda, Yyrm


Não fazia muito tempo que Loregan Vien’ac II tinha saído de casa. Sua vida de aventuras estava apenas começando e até agora não tinha passado por nenhum perigo real, excluindo-se um taverneiro enfurecido, a quem havia “acidentalmente” esquecido de pagar uns trocados.

Sua espada velha que ganhara antes de partir e as roupas surradas eram as únicas coisas que levara de casa. O pai era o único que possuía o mesmo sangue nas veias que Loregan. Sir Loregan era um nobre cavaleiro a serviço do Regente de Yyrm, mas acabou se endividando até perder tudo o que conseguira. Tudo o que restara de sua antiga fortuna foi o que usou para sustentar-se junto ao filho e comprar-lhe uma espada usada.

Os cabelos castanhos de Loregan balançavam ao vento calmo da tarde de outono. Os últimos três dias tinham se resumido a fugas de estalagens e perseguições a coelhos velhos. O meio-elfo pensava consigo mesmo que de todas as histórias que ouvira do pai sobre suas aventuras, nenhuma chegava a ter ao menos um dia sem perigos e batalhas.

Os sons que a barriga do jovem aventureiro emitia pareciam os de um dragão e não fazia nem meia hora que havia comido um peixe. A cidade estava a menos de 500 metros dali, mas Loregan estava cansado demais para correr de outro comerciante.
Uma jovem e bela elfa passava na estrada na base da colina em direção à cidade. Loregan ainda era jovem e fazia tempo que não se divertia com nenhuma garota. Já tinha pegado sua mochila e se levantava para conversar com a moça quando um forte clarão iluminou toda a região.

Se recuperando do susto inicial, o meio-elfo olhou rapidamente ao redor em busca da origem de tal luz. Ainda tentando encontrar a fonte, um segundo clarão o cegou por alguns instantes. Sem ver nada, Loregan foi puxado por algo ou alguém colina abaixo.
Pouco depois estava encostado no tronco de uma alta castanheira ao lado da elfa que vira a pouco na estrada. Ela parecia atenta e nervosa, e ficava olhando para os lados com os olhos se movendo rapidamente.

-O que está acontecendo? – perguntou Loregan enquanto mais um clarão iluminava o céu.

A jovem apenas fez um sinal para que se calasse e continuou observando as estranhas luzes que, agora se percebia, vinham do céu.