Participe

Qualquer história que possua o marcador Aberta pode ser escrita por qualquer visitante. Basta continuar o conto de forma coerente nos comentários ou enviando o texto por e-mail para

rpgsproject@yahoo.com.br

Boa leitura!

Mostrando postagens com marcador O Império. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Império. Mostrar todas as postagens

O Império - Capítulo 3 - Dor - 127 D.C


Capítulo 3 - Dor
127 D.C

E assim a vida continou. Tylor nunca tivera um período tão feliz em sua vida. E nunca mais iria ter. Porque ele estava vivendo em uma bolha de felicidade. E bolhas sempre estouram.

---

Era uma tarde cinzenta. Tylor estava caminhando distraidamente na rua, pensando na noite anterior. Encontrara Leona e a garota estava linda, como sempre. Haviam ido novamente para a pequena floresta fora dos portões da cidade, mas dessa vez... Dessa vez havia sido diferente.
Tylor lembrava de cada detalhe. De como sentira a pele macia da jovem em seus lábios. De como o cheiro de pétalas de rosa que emanava da garota o deixara anestesiado. De como os dois gritaram em uníssimo de prazer.

O garoto ainda sonhava acordado quando sentiu uma pancada em seu estômago.

-O qu...

Não teve tempo de completar a frase. A dor o atingiu como um raio. Um mar de socos e pontapés vindos ele não sabia de onde o encontraram e, quando se deu conta, estava no chão, encolhido, tentando se defender. Mas as pancadas não paravam e, de repente, tudo escureceu.

---

A primeira coisa que Tylor percebeu quando abriu os olhos foi que já era noite cerrada. A segunda foi que todos os seus músculos e ossos doíam como se um trator tivesse passado em cima dele. Ao tentar se sentar, o garoto soltou um gemido involuntário de dor. Uma sombra passou pela linha de visão do menino e o seu primeiro pensamento foi em se proteger. Mas foi uma voz calma que disse :

-Finalmente você acordou, Tylor.

Girando a cabeça ao redor, Tylor viu um homem loiro e alto o encarando. Aparentava ter cerca de 40 anos. Mas o mais impressionante eram os seus olhos. Eram extremamente pertubadores, parecendo desnudar a alma de quem os fitasse.

-Quem é você?

-Um amigo. Parece que você se meteu em confusão aqui...Alguma idéia de quem fez isso com você?

O homem parecia genuinamente preocupado.

-Não. Mas....como você sabe o meu nome?

- Sou um velho amigo do seu pai. Aqui, tome esse anel.

O homem estendeu a mão e Tylor imediatamente reconheceu o anel de seu pai. Era brilhante, no formato de uma cobra com grandes olhos verdes. Nas poucas vezes em que Tylor vira Reagan, ele sempre estivera com o anel no dedo.

-Como...Como você conseguiu isso?

-Tylor, trago uma péssima notícia. Seu pai foi morto em uma batalha.

Imediatamente, o menino se sentiu como se toda sua vontade de viver tivesse sido sugada para dentro de um buraco no chão.Seu pai....Morto?? Seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas, mas o garoto conseguiu segurar o choro.

-Voc..Você .. está mentindo!!!

-Tylor, olhe para meus olhos. Estou falando a verdade. Reagan era um grande amigo e um companheiro valoroso. Sei que é difícil para você, mas devo lhe contar a verdade. Foi seu último desejo e eu devo isso a ele.
O homem pareceu tomar uma pausa para respirar fundo.

- Tylor, seu pai era um soldado da resistência, e deu a própria vida em uma batalha contra o déspota Thor.

-Nããão!!Você está enganado!Ele era o soldado do rei!

-Não Tylor, não era.

-EUUU NÃO ACREDITOOO!

E o garoto, cego pela dor e pela raiva, avançou sobre o homem, socando furiosamente o ar.

-Calma - disse o homem, segurando os braços do garoto. Olhe bem o anel que está na sua mão. Não está vendo as inscrições? D.P. Defensores do Povo. Reagan nunca lhe falou nada sobre isso?

Tylor se lembrava de uma discussão que entreouvira de Rita com seu pai, há alguns anos atrás. Na época não entendera o porquê de sua tia chamá-lo de traidor e covarde, intitulando-o de "defensor do próprio umbigo''. Nem a relutância que ele sempre tivera em contar onde conseguira aquele anel. Mas agora tudo fazia sentido.

E então o garoto não agüentou mais e começou a chorar. Porque seu pai estava morto e toda sua vida até então fora uma grande mentira.

O Império - Capítulo 2 - Reminiscências - 126 D.C


Capítulo 2 : Reminiscências
126 D.C


- Venha cá agora, menino!

Sem dar ouvidos à voz, o garoto continuou correndo, se distanciando cada vez mais da casa.

"Quem ela acha que é? Minha mãe? E, mesmo se fosse, já não sou mais um garoto para ser mandado e desmandado. Já tenho idade suficiente para me cuidar e nem é noite ainda!

Mas parecia que sua tia não entendia isso. Chamava-se Rita e era conhecida por todos como a Viúva, por ficar a maior parte dos dias lamentando a morte de seu marido. No resto do tempo, cuidava (ou melhor, repreendia) do sobrinho. Era isso que o garoto não entendia. Ela não conversava com ninguém, nem mesmo com ele. Não falava sobre o tempo, não reclamava dos impostos e nem invejava o novo vestido da vizinha. Seu relacionamento com o garoto se limitava a "Faça isso" ou "Não vá lá". Apesar de tudo, era ela quem ficava com ele durante a maior parte do tempo, já que seu pai, Reagan, era um soldado do Império, não tinha residência fixa e morava onde o imperador mandava.

E o menino continuava correndo, tentando desviar das pessoas que apinhavam a rua. Um vendedor gritou quando ele esbarrou numa barraca e várias das cestas caíram no chão. Um bêbado entrou no caminho do menino e desabou, obrigando o garoto a pular por cima. Quem olhava via um menino comum. Franzino, moreno, olhos escuros, cerca de um metro e meio, por volta dos doze anos. O típico garoto de cidade grande, que passava seus dias perambulando pelas ruas e procurando algo para passar o tempo.

Finalmente, o garoto parou. No fim da rua, escondida pela sombra das casas ao lado, estava uma menina, esperando por ele. Seu nome era Leona. Após uma olhada nos arredores, os dois se beijaram, separando-se rapidamente.

- Por que demorou tanto? Estava te esperando! - disse a jovem.
- Desculpa! Minha tia não queria que eu saísse de casa....Você sabe como ela é... Tive que fugir!
- Tudo bem. Mas vamos logo!
- Mas, Leona, como vamos entrar no bairro?
- Deixe isso comigo. Apenas me siga.

Se distanciando cada vez mais da multidão, os dois seguiram na rua até chegarem ao portão do bairro dos ricos. Após um rápido aceno de Leona, os portões foram abertos e os dois entraram. Depois de um pequeno trecho, os dois viraram à esquerda e seguiram por alguns minutos até outro portão, por onde saíram da cidade e entraram em uma trilha na floresta.

"Que lugar lindo" - pensou o menino.


E por mais de uma hora os dois ficaram ali, deitados juntinhos, observando o pôr do sol. E para o garoto, era o pôr do sol mais bonito que já vira em toda sua vida. Porque ali estava ela, a bela jovem morena, de cabelos cacheados e olhos verdes que ocupava todos os seus pensamentos.

E porque ele, Tylor, estava feliz.



O Império - Capítulo I : Introdução - 137 D.C



Capítulo I : Introdução
137 D.C

Era uma bela manhã. Pássaros cantavam na copa de uma grande árvore e a melodia suave e triste encantava o ambiente. Andorinhas esvoaçavam em bandos. As nuvens, brancas como neve, formavam desenhos no céu, contando antigas batalhas, que ninguém conseguia entender. O vento soprava forte, anunciando uma das típicas tempestades de verão, que não tardaria a vir. Na cidade, as donas de casa começavam a tirar as roupas dos varóis, mães gritavam para seus filhos voltarem para casa e ambulantes escondiam suas mercadorias. Velys se preparava para o temporal.

A cidade era o centro comercial e a terceira maior do Império, atrás apenas da capital e da mítica cidade de Favir. Era muito antiga, e desde sua fundação, funcionara como grande centro comercial. Seu porto vivia abarrotado de mercadorias que abasteciam as cidades ao redor e, mais no interior, a capital. Tudo passava pela cidade, de alimentos e remédios a jóias, armas e móveis. Ao redor do porto, haviam pelo menos 30 bares, que viviam abarrotados de marujos, prostitutas e vagabundos. O mais famoso de todos, chamado Cabeça de Boi, tinha inclusive alguns clientes ilustres, entre eles o chefe de polícia – que, segundo diziam as más línguas, era apaixonado pela ruiva que trabalhava em uma das camas do segundo andar do bar. As mais lindas e caras garotas da cidade trabalhavam no lugar. Saindo do Porto de Velys, havia uma grande avenida que cruzava toda a cidade, levando as mercadorias para a estrada central. À direita da avenida principal ficavam os agitados bairros populares. Ali se amontoava o povo da cidade. Mendigos, artesãos, ferreiros, marujos e prostitutas, todos vivendo em barracos ou casas simples . À esquerda da avenida, por sua vez, ficava o bairro dos grandes mercadores. Era grande e quadrado, cercado por uma muralha de pedra, que o separava de toda a sujeira e pobreza. Apenas os moradores e as pessoas que trabalhavam nas casas podiam entrar. O bairro era lindo. Árvores floridas ladeavam todas as ruas, pintando o bairro de amarelo, rosa e roxo. Todas as casas tinham dois andares ou mais. Ali moravam os grandes mercadores, os chefes de departamento municipais e o prefeito. O bairro também dava acesso a um portão secundário e uma estrada, que levava às casas de campo dos ricos. Era rodeada por árvores de diferentes tipos, idades e tamanhos, provocando uma explosão de cor e vida durante a primavera.

Tylor empertigou-se, recolheu suas flechas e começou a voltar para a cidade. Estivera treinando sua pontaria, usando uma árvore velha e retorcida como alvo. O jovem costumava ir treinar ali, longe dos olhares curiosos dos moradores de Velys. Ele era bom com o arco. Se o vento estivesse a seu favor, conseguia acertar um alvo do tamanho de uma maçã a 30 passos de distância, o alcance máximo de sua arma. Era o campeão de vários dos torneios de tiro ao alvo da cidade e chegara inclusive a chamar a atenção de um sargento, que o convidara a ir ao exército, para se tornar um dos arqueiros de elite do rei. Tylor recusara, numa atitude que causara estranheza aos moradores da cidade e fora assunto de fofocas por vários dias. Afinal, quem não queria servir o amado rei Thor, senhor das vastas terras imperiais? E ainda mais em um posto tão importante como o de um integrante dos exércitos de Elite? Uma lavadeira chegara a afirmar que ele era louco. Tylor não dera a mínima para as fofocas. Afinal, ele realmente não era uma pessoa comum. Não mais. Não depois daquela noite....