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O Herdeiro#13 – Próximo Passo – 761 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."



-Como pode saber que conseguirei com que me sigam? – Azzwiters perguntou.

A velha profetisa colocou a xícara sobre a mesa e, como se estivesse olhando para o drow, respondeu:

-Eu apenas sei, jovem. Deve confiar em mim se quiser chegar ao trono.

Azz sabia disso. Apesar de cega, aquela senhora “via” muito mais do que ele ou qualquer outro em Zanir. Já fazia muito tempo que os dois estavam ali, discutindo os passos para que a profecia de Azzwiters se cumprisse e, ele reconhecia o valor de tais informações.

-A partir de então, deve tomar muito cuidado. A Tecelã saberá o que está fazendo, e não gostará nada disso. Um passo em falso e você será esmagado – continuou a profetisa.

-O que devo fazer então, senhora?

-O povo de Zanir estará empolgado com a eminente investida à capital élfica. As atividades de preparação para a guerra os manterão ocupados. Mantenha uma ilusão sua na cidade e vá para...

-Espere aí, o que acontece se alguém tentar conversar com minha ilusão? Não consigo criar uma poderosa suficiente para responder sem que eu esteja por perto.

-Não se preocupe, a Coroa lhe dará poder para isso. Mas como eu dizia, assim que a ilusão estiver pronta, vá para o Domínio dos Demônios. Você precisa encontrar o mapa para o Castelo de Kahla-fah, e o único exemplar existente está em posse de Nakt Rul, general das tropas abissais.

-E para que preciso desse castelo?

Algo na face da velha mostrava que estava empolgada. A resposta para a pergunta que Azz fizera a animava extremamente.

-Para encontrar o Grimório de Jessica.

O Herdeiro#12 – Um Novo Governo – 765 d.Q., Zacrest


É claro que as sacerdotisas de Zanir eram completamente contra o governo de Azzwiters, mas não poderiam declarar isso abertamente. A maioria dos drow estava empolgada com essa mudança drástica na política local. Em toda a história dos elfos negros, houve poucos homens envolvidos na política, e mesmo assim, apenas em funções secundárias. Nunca antes uma cidade havia sido comandada por um macho da espécie. O que animava tanto a população da cidade subterrânea era os ideais imperialistas de Azz. A vitória sobre os elfos tinha renovado o espírito patriótico dos drow, e todos sabiam que com o Filho-do-Mal no comando, tal povo alcançaria grande poder.

Não havia nada que as sacerdotisas pudessem fazer a respeito. Qualquer tentativa de devolver o governo às clérigas da Deusa seria provavelmente respondida com a morte, seja causada pela população ou pelo próprio Azz. A única esperança que lhes restava estava na própria Dama Negra. O golpe de Azzwiters não era apenas uma questão política, mas também uma afronta direta à deusa patrona dos drow, uma ameaça direta à sua autoridade. E Ela sabia muito bem disso. Azz precisava ser controlado cuidadosamente ou poderia afetar o poder da Dama como divindade.

Mas ainda era cedo para intervir, Ela acreditava. O governo de Azz poderia até mesmo Lhe ser beneficial. Ele certamente tentaria expandir o reino drow, sempre ambicioso demais, e, mais cedo ou mais tarde, acabaria caindo por causa de tal sede por poder.

Azzwiters, porém, tinha outros planos. A expansão de seu futuro império poderia esperar. Antes era necessário que seu governo estivesse estabilizado e que tivesse apoio de todo o reino. Cada passo seu agora seria vigiado pela Deusa, e o cuidado deveria ser redobrado. A partir daquele dia, Ela seria seu pior inimigo, e, quando menos esperasse, Azz também a derrotaria.

Mas ainda era muito cedo para aquilo. Havia muito caminho a ser cruzado ainda e seu primeiro ato seria declarar guerra à nação élfica. Com isso, Azzwiters mantinha os drow satisfeitos e iniciava sua campanha de dominação.

A invasão já estava sendo preparada. E dessa vez, não seria um simples ataque a uma vila élfica qualquer, eles começariam pela capital.

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."

O Herdeiro#11 – Rumo ao Trono – 765 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."




Agora era apenas uma questão de tempo para que uma guerra entre elfos e drow começasse. O massacre em Zanir desencadearia uma sequência de batalhas entre as duas raças que, ao final, levariam ao confronto decisivo entre elas. E Azz sabia qual dos lados venceria.

Mas enquanto a guerra não começava, ele tinha outras coisas a fazer. Em breve, ele precisaria estar no comando de Zanir. E há séculos apenas sacerdotisas governavam a cidade. Não importava como, isso deveria mudar.

Azzwiters entrou no mesmo salão em que estivera antes da batalha. A sacerdotisa líder ainda se encontrava ali, desta vez analisando alguns pergaminhos.

-O que quer agora Azzwiters? – Perguntou ela se levantando da cadeira em que se encontrava. Um olhar apreensivo podia ser observado nos olhos dourados da drow, como se soubesse o que a esperava.

-Eu quero o que você tem. Zanir será minha e, em breve, toda a nação Drow. Infelizmente você não viverá para ver isso.

A sacerdotisa parou por um instante após ouvir a declaração do meio-demônio. Ela sabia que em combate direto, jamais conseguiria vencê-lo, seja por meio de luta ou magia. Sua última esperança era usar a cabeça.

-Você realmente acha que poderá me matar e depois simplesmente todos aceitarão seu domínio?

Mas Azzwiters tinha seus objetivos bem traçados. Meras palavras não seriam capazes de interrompê-lo agora que já estava se movendo em alta velocidade rumo ao seu reinado.

Com um movimento mais rápido do que a sacerdotisa pôde acompanhar, Azz cortou a cabeça da drow com um único golpe da Traiçoeira.

-Não se preocupe, - Disse ele após ter decepado a ex-governante – tenho uma profecia a meu favor.

O Herdeiro#10 – Massacre – 765 d.Q., Zacrest


Azzwiters deveria esperar que os elfos se aproximassem das muralhas da cidadela drow antes de se envolver em batalha. A ilusão que criara de si mesmo ainda estava em meio aos inimigos, e se o vissem ela seria desfeita. Claro que ao perceberem que foram traídos recuariam imediatamente.


O ataque seria claramente um massacre. O número de elfos-negros superava em muito o de atacantes, e ainda devem-se considerar as defesas da cidade. A decisão do líder élfico em organizar tal ataque havia sido uma loucura, e suas tropas sabiam disso. Com moral e números baixos, os elfos estavam fadados à morte.


A chuva de flechas começou assim que o primeiro soldado atacante chegou aos pés da muralha. E foi nesse mesmo instante que Azz pulou pela ameia do muro. Sua espada élfica reluzia refletindo a luz das tochas. Algo na lâmina clamava por batalha. E o Filho-do-Mal queria com toda sua vontade realizar tal desejo. Sua arma seria alimentada com o sangue de seus forjadores e antigos donos.


“Traiçoeira”, pensava Azz, esse seria o nome da espada que carregava. Criada por elfos, voltada contra os elfos. O drow podia sentir o poder que pulsava dentro do metal leve e trabalhado da arma. Um poder que ansiava por matar, provavelmente absorvendo os sentimentos de seu novo portador. E com ela, Azzwiters marcaria seu reino com sangue e guerra.


Durante horas o sangue élfico caiu sobre o solo subterrâneo. E durante horas Azzwiters girou sua Traiçoeira no campo de batalha. O meio-demônio era o terror da batalha, simplesmente cortando tudo o que via pela frente com a mesma facilidade com que se rasga uma folha de pergaminho. Não havia naquele confronto nenhuma força que pudesse ferir tal máquina de matar. Os atacantes caíam aos montes ao se aproximarem de Azz, um atrás do outro. E o guerreiro não parecia se cansar. Pelo contrário, a cada instante de luta suas energias pareciam renovadas.


Quando finalmente apenas um elfo restava, Azz aproximou-se da vítima. Ele sabia que ninguém atiraria no sobrevivente. Os drows tinham medo do Filho-do-Mal, e nenhum deles tiraria um alvo dele.


Mas para a tristeza de Azzwiters, seus planos o impediam disso. Aquele último elfo deveria viver, ao menos o suficiente para contar o restante de sua raça sobre o massacre que ocorrera na cidadela drow.


Com uma velocidade surpreendente, Azz aproximou-se do elfo remanescente e, enquanto ele fugia apavorado, disse-lhe:


-Dessa vez viverá, mas não terá a mesma sorte por muito mais tempo! Aliás, nenhum dos de sua raça...


E ao fazer tal afirmação, ficou um passo mais próximo de torná-la verdadeira.

O Herdeiro#9 – Preparando-se Para o Confronto – 765 d.Q., Zacrest


A enorme porta de ferro se abriu com um estrondo. Sem olhar para os lados, Azzwiters entrou pelo portal, dirigindo-se à sacerdotisa líder.

-Os elfos estão se preparando para um ataque, senhora. Suas forças estão organizadas e uma tropa se dirige imediatamente à nossa cidade.

-Azzwiters! – exclamou a drow com surpresa – Achei que havia morrido na batalha. Nós perdemos comunicação com toda a tropa.

A sacerdotisa sabia que o drow-demônio tinha algo a ver com aquela história, mas não podia fazer nada.

-Nosso grupo foi massacrado na batalha – disse Azz – A cidade élfica foi protegida magicamente, o que nos impediu de fugir. Por sorte consegui me esconder enquanto observava o inimigo.

A sacerdotisa poderia acreditar em Azzwiters ou não, mas tinha acabado de receber a notícia de que tropas élficas marchavam nas redondezas da cidade. Isso exigiria uma reação imediata, e o Filho-do-Mal deveria esperar por um julgamento mais adequado.

O drow agora havia sido liberado para se preparar para a batalha. Com sua nova espada, Azz se dirigiu à muralha, de onde poderia ver a batalha de camarote e, cedo ou tarde, se envolveria em combate com os invasores élficos.

Podia lhe parecer estranho agora ele ter passado tanto tempo em meio aos elfos, mas segundo a velha profetisa, isso seria necessário para que o trono fosse seu. Azzwiters tinha se acostumado a confiar naquela velha senhora.

Agora, finalmente, Azz poderia eliminar aqueles malditos elfos da superfície que durante meses o incomodaram. Sua sede de morte seria satisfeita em apenas algumas horas.

O som de uma trombeta ecoou nos corredores rochosos da caverna. Um som forte e claro, usado pelos drows para simbolizar perigo.

O inimigo estava chegando.

O Herdeiro#8 – De Volta Pra Casa – 765 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."


Três meses haviam se passado desde o ataque à cidade élfica e agora Azzwiters preparava-se para voltar à Zanir. Mas seu retorno seria muito diferente do esperado.

Assim que Natzara deu seu último suspiro naquele dia, o meio-demônio prosseguiu com sua missão. Finalmente, a Coroa do Maldito estava em suas mãos. E com ela, o destino do mundo. Com tanto poder sob seu domínio, foi fácil cercar a vila com um campo anti-magia e, em seguida, eliminar todos os drow atacantes.

Aclamado como herói e salvador, Azzwiters permaneceu os próximos meses vivendo na vila sob a proteção do então governante. Com ajuda de suas habilidades mágicas, o drow aos poucos foi ganhando uma influência significante nas decisões tomadas pelo líder élfico, dando um passo a cada dia.

E foi assim que Azz convenceu o governante que estava ali tentando acabar com o legado de maldade dos seus parentes e que, devido ao recente ataque mal-sucedido, a cidade drow de Zanir estava completamente desprotegida, sendo a oportunidade perfeita para um contra-ataque. Agora o pequeno exército élfico marchava em direção ao que, em pouco tempo, descobririam ser o local de sua morte.

Mas Azzwiters não se importava com a vida daquelas criaturas inferiores. Tampouco com a dos outros drows. Seu reinado não dependia deles. E de qualquer modo, o sangue derramado naquele dia seria apenas um pequeno sacrifício que o mundo pagaria.

Finalmente, após uma longa marcha, as tropas encontravam-se na entrada do grande complexo subterrâneo que servia de abrigo para Zanir. Em breve, todos aqueles que estavam ao seu lado cairiam no solo rochoso da caverna para nunca mais se erguerem. E Azz não ficaria com eles para esse compromisso.

O Herdeiro#7 – O Poder do Maldito – 761 d.Q., Zacrest


A velha olhou para ele. Seus olhos que já não possuíam cor pareciam fitá-lo, embora já não pudessem ver. Servindo mais uma taça de vinho ao guerreiro-demônio, a profetisa sentou-se novamente na poltrona que aparentava ter a mesma idade que sua dona.

-Mas diga-me, o que faz essa tal Coroa para que seja tão importante sua aquisição? – Perguntou-lhe Azzwiters.

-Jovem cria do Inferno, A Coroa do Maldito tem muito mais poder do que eu poderia te dizer em uma noite. A magia contida em tal artefato ultrapassa as capacidades de qualquer mortal – A velha drow demonstrava possuir uma voz clara e limpa, o que era um feito para sua idade.

-E como conseguirei obter tal objeto? Seu atual usuário deve ser capaz de me transformar em pó com apenas um gesto!

-Não seja tolo, Azzwiters Filho-do-Mal, tamanho poder não pode vir de graça. O preço pago por quem usufrui das capacidades da Coroa é tão alto, que muitos morrem apenas de tocar o metal negro de que é composta. O artefato é mantido intacto há décadas, em uma pequena vila élfica não muito longe daqui.

Aquela conversa já estava levando tempo demais. Já fazia horas que a velha estava dizendo-lhe o que deveria fazer para que a profecia se cumprisse. Azz estava cansado daquela sala escura e fechada e cheiro de incenso o irritava.

-Mas quando você puser as mãos na Coroa... – A profetisa interrompeu os pensamentos de Azzwiters – Você terá dado o passo mais importante em direção ao reinado do Mal. A cada dono que a Coroa possui, parte das habilidades e magia do usuário passam para o artefato de forma irreversível. Assim que o metal tocar sua cabeça, sua haste desaparecerá e o item será parte de você até que a morte o encontre. Isso, é claro, inclui todo o poder da Coroa.

Agora as coisas pareciam mais interessantes. Segundo a profetisa, alguns dos magos e feiticeiros mais poderosos que já existiram portaram a Coroa do Maldito ao menos durante uma batalha. O poder que se encontrava encerrado naquele objeto o levaria facilmente ao trono.

-O que devo fazer depois? – Azzwiters finalmente via o caminho à sua frente.

Um sorriso apareceu nos lábios secos da velha.

-Mate todos os drow que estiverem na vila...


"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."

O Herdeiro#6 – Luta pelo Poder – 764 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,

Sobre a Terra irá reinar.

E uma escuridão sem igual,

Fará o mundo se curvar.

Novamente as trevas reinarão,

Enquanto durar a noite.

Num reino de Sombra e Solidão,

Onde a vida será um açoite."

-Que bom que você veio, Natzara – a voz do drow parecia vir da camada mais profunda do inferno.

-Ora, ora. Pensei que tivesse te enviado em uma missão há 200 km daqui – a voz da matriarca da cidade deixava o sarcasmo escorrer.

Azzwiters virou-se em direção à porta. Natzara usava sua roupa de guerra e trazia uma adaga em uma de suas mãos. Mas Azz conhecia a sacerdotisa bem demais para deixar-se acreditar que seria uma batalha fácil.

-A missão cumprida com sucesso. Acho que não levou nem dez minutos – o drow fazia questão de lembrar a matriarca de seus poderes assombrosos.

Tentando atingir o Filho-do-Mal de surpresa, Natzara ergue uma de suas mãos em direção. Um relâmpago parte de seus dedos para atingir Azz no peito. Para o drow aquilo era apenas uma diversão. Esquivando-se da magia da sacerdotisa, ele chega até o lado de sua adversária com uma velocidade imensurável. A lâmina élfica, porém, pareceu cortar apenas fumaça quando deveria penetrar o peito da matriarca.

-Você não achou que eu me deixaria atingir tão facilmente, não é? – a voz de Natzara parecia vir de todas as direções ao mesmo tempo, como se sua fonte não estivesse ali.

Um pensamento passou pela mente rápida de Azzwiters. Algo que arruinaria seus planos e colocaria a drow em uma posição muito superior à sua. Mas Azz sabia todas as táticas de Natzara e podia prever o que ela faria em seguida.

A espada do drow pareceu cortar o ar enquanto Azzwiters rapidamente retornava para a sua posição ao lado da Coroa. Gotas de sangue pingavam no chão surgindo aparentemente de lugar nenhum. Lentamente, o corpo de Natzara foi aparecendo poucos passos atrás de onde a arma de Azz estivera há pouco.

-Talvez nós dois devêssemos parar de subestimar nossos adversários não é mesmo? – Azzwiters apareceu em frente à sacerdotisa. Mas dessa vez, a lâmina da espada estava enterrada em carne real – Ou talvez não haja mais tempo para isso...

A matriarca caiu de joelhos no chão. A espada atravessando sua barriga fazia sangue escorrer de seu ventre em enormes quantidades. Natzara tentou falar, mas também havia sangue em sua boca. Não demorou muito para que a morte alcançasse a sacerdotisa, liberando o caminho da Coroa para Azzwiters.

O Herdeiro#5 – A Coroa – 764 d.Q., Zacrest

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Sobre a Terra irá reinar.

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Num reino de Sombra e Solidão,

Onde a vida será um açoite." 


Azzwiters já podia sentir o poder da Coroa em suas mãos. Não importava o quanto a porta estivesse lacrada, o drow entraria ali de qualquer forma. Não só o destino dos elfos negros estava em jogo ali. Todo o futuro do Cosmo estava sendo decidido nesse ataque. 

Com sua simples força de vontade, o Filho-do-Mal rompeu todos os selos mágicos, trancas e armadilhas que protegiam a passagem. Para Azz, aquilo era tão fácil quanto respirar. A porta lentamente girou sobre seu eixo para revelar o interior do enorme salão. Inteiramente contido em uma árvore típica de cidades élficas da região, o local parecia apresentar uma luminosidade natural que destacava o pedestal no centro da sala circular.

Com uma enorme força, a Coroa atraía o drow para perto de si. O mal que havia dentro daquele objeto clamava por liberdade e vingança àqueles que o aprisionaram ali em épocas passadas. Sua fina haste de metal negro continha uma enorme quantidade de espinhos que se erguiam ameaçadoramente. A energia que pulsava do artefato dava a impressão de que a alma do Maldito ainda vivia em seu interior, o que, de certa forma, não deixava de ser verdade.

Sem hesitar, Azzwiters se dirigiu ao centro do salão. Sua mão se erguia com vontade em direção à Coroa. Mas algo fez com que o elfo negro parasse no meio de sua trajetória. Um sorriso de satisfação apareceu no rosto do Filho-do-Mal. Ele ainda derramaria muito sangue naquele dia.


O Herdeiro#4 - Combate – 764 d.Q., Zacrest

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Num reino de Sombra e Solidão, 
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As mãos negras de Azzwiters estavam cobertas de sangue. Suas roupas pesavam de tão molhadas pelo líquido vermelho. Mas o Filho-do-Mal já estava onde queria. Só faltava mais uma porta para que chegasse à Coroa. Ele já podia senti-la ali, ao seu alcance. A energia mágica que emanava do salão era enorme. Ali dentro estava algo grande e perigoso, mas que lhe atraía cada vez mais.

Quando estava quase abrindo a porta, uma flecha atingiu as costas do drow. Azzwiters calmamente se virou, aparentemente sem se preocupar com o ferimento e viu o que parecia algum tipo de oficial élfico.

Assim que Azz percebeu o inimigo, este já estava a dois metros do drow e com a espada em mãos. Mas Azzwiters era mais rápido. Desde que nasceu vinha sendo trinado para o combate, e velocidade era uma de várias habilidades adquiridas. O Filho-do-Mal usou uma das adagas que carregava consigo para prender o pé do oficial no chão.

Os gritos de dor do elfo faziam o drow estremecer de prazer. A força com que a lâmina estava presa à rocha era enorme, impedindo que a vítima se movesse. Azzwiters, com um movimento rápido e preciso, retirou a espada das mãos de seu adversário. A lâmina élfica era bem trabalhada e possuía uma série de inscrições na língua de seu dono. Havia uma aura mágica emanado da arma e isso fez com que Azz se interessasse. A partir de agora a espada era sua.

E o primeiro teste que faria com a arma seria no seu antigo dono. Nada que fosse rápido demais, mas que com certeza mataria a vítima era o ideal. O Filho-do-Mal optou por algo que não fazia há um bom tempo: cortar as pernas e mãos da vítima e abandoná-la viva.

Agora que o serviço estava feito, Azzwiters podia se concentrar na Coroa novamente. A alma do Maldito logo estaria em suas mãos.

O Herdeiro #3 - Caça aos Coelhos - 764 d.Q., Zacrest



"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."






















A luz da superfície finalmente chegou aos olhos da tropa. Para a maioria dos drow isso era um sério problema. Vulnerabilizados e ofuscados pela luz da vida, os elfos negros odiavam o sol e qualquer um que precisasse dele para sobreviver. Mas Azz não era como a maioria. E ele se aproveitava muito bem disso. Provavelmente ele achava que assim teria mais vítimas para ele.


A batalha seria uma caça. E Azzwiters procuraria sempre os coelhos mais gordos. Para ele, isso não era dever ou trabalho, mas sim uma diversão. Matar era o que ele mais gostava. E como a maioria das coisas de que se gosta, era apreciado aos poucos e longamente. Pena que sua caça não gostasse também.


O túnel terminava bem próximo da vila e não demorou muito para que os elfos negros recobreassem a visão. Agora, o ataque começaria. O Filho-do-Mau partiu como um raio, destruindo qualquer coisa que se movia. Os guardinhas da porta da cidade não eram interessantes. Definitivamente. Ele agora ia para o centro da cidade.Aonde estavam os oponentes mais fortes. Aonde estava toda a diversão.
Embora Azzwiters mal pudesse esperar por uma luta que o entretesse por algum tempo, ele tinha outros motivos para estar ali. E para ele, quanto mais gente houvesse em seu caminho melhor, fossem eles elfos ou drow...

O Herdeiro #2 - Aperitivo - 764 d.Q., Zacrest


"O filho perfeito do mal,

Sobre a Terra irá reinar.

E uma escuridão sem igual,

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Num reino de Sombra e Solidão,

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Invadir e destruir uma vila élfica isolada parecia uma tarefa muito fácil e entediante para Azzwiters, principalmente estando ele acompanhado de uma tropa completa de drow. Já seus companheiros estavam em geral ansiosos ou receosos. Eles não estavam de todo errados, provavelmente a maioria deles não voltaria viva. Mas Azz não se importava com nada disso. Tudo o que queria era encontrar os mais fortes do local antes que outros os matem ou cansem. Soldados e guardas não lhe interessavam.

A lenta marcha dos soldados drow deixava o Filho-do-Mal com sono. Se fosse sozinho já teria acabado o serviço. Não que alguém duvidasse disso. Provavelmente essa era a maior preocupação das matriarcas de Zanir. Provavelmente elas sabiam, assim como Azz, da existência da Coroa do Maldito naquela vila élfica humilde e escondida. Mas no que depender do drow-demônio, ela não permaneceria lá por muito tempo.

Azzwiters podia ser facilmente reconhecido por uma característica peculiar de seus cabelos. Ao contrário do normal para a raça, seus cabelos não são completamente brancos. Uns poucos fios vermelhos se espalhavam no meio dos brancos, causando um contraste interessante. Alguns diziam que o contato constante com sangue alheio fez com que ele absorvesse parte desse sangue, que acabou subindo à cabeça. Para Azz, era mais um sinal de superioridade.

Mas o Filho-do-Mal não precisava mostrar isso para ninguém. Ele sabia que um dia todos se curvariam aos seus pés.

O Herdeiro #1 - Vida Sombria - 764 d.Q., Zacrest


Azzwiters, Filho-do-Mal, é o terrível guerreiro do submundo. Nascido de um pai demônio, o elfo-negro é uma arma mortal sob controle das matriarcas de sua cidadela, uma das maiores num raio de quilômetros. Apesar da herança de sangue, o drow não apresenta nenhuma característica abissal aparente. Mas se fosse possível observar o que se passa dentro de Azz, qualquer um mudaria de opinião num piscar de olhos. A única coisa que denuncia sua natureza doentia são seus olhos vermelhos que possuem um brilho insano. Para muitos, ter um demônio como antepassado já é o suficiente para considerar-se mau. Mas Azzwiters não se limita a isso. Tendo sua mãe drow morrido durante o parto, o Filho-do-Mal foi criado pelas sacerdotisas da cidade subterrânea de Zanir, em Zacrest, recebendo um treinamento especial praticamente desde que nasceu.

Sua habilidade excede em muito o da maioria dos seus conterrâneos e isso já lhe causou muitos problemas. A sociedade dos drow é quase sempre alterada por uma constante competição por poder, mágico e social, muitas vezes estimulada pela própria Deusa dos elfos-negros. O poder cada vez maior de Azz já criou receio e medo inclusive na própria Deusa, embora ela não se "atrevesse" a confrontá-lo. Provavelmente o Filho-do-Mal tem sorte de não ser mulher, uma vez que entre elas há a maior quantidade de traições e intrigas da sociedade drow. Foi entre todas essas armações e tramóias que Azzwiters cresceu e viveu toda sua vida, realizando missões em nome de sua Deusa e dos demônios que o conceberam. 

Para o drow, matar era sua função. Sempre que uma missão se tornava mais perigosa do que o recomendado para os soldados de Zanir, Azz era enviado. Para ele, isso era um prazer, e ele nunca teve uma mãe para lhe ensinar a não brincar com comida. Matar era para ele mais do que um ofício, era uma arte. às vezes ficava um dia inteiro "brincando" com suas vítimas antes de finalmente matá-las. Caso não fosse assim, facilmente se entediaria. Seu talento e habilidade lhe permitiam matar praticamente qualquer adversário em questão de segundos. Ele não se importava com todas aquelas questões políticas e hierárquicas que envolviam - e frequentemente matavam - as sacerdotisas drow. Apreciava boas armas, embora fosse capaz de decepar uma cabeça com as mãos nuas, atravessar um corpo com um soco ou esmagar um crânio com o joelho. 

Mas o que mais o fazia temido entre os que o realmente conheciam não era seu sangue ou seu sadismo, mas sim os versos que acompanhavam seu nome. A profecia que trazia consigo, o futuro dos drow e do mundo.

"O filho perfeito do mal, 
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."