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Boa leitura!

Nova Série - Toda História Tem um Começo



Estou criando hoje, aqui no RPGS, uma nova série chamada Genesis. Serão várias histórias da mitologia de Nakuth (planeta onde se passam todas as histórias escritas por mim até agora), da criação do Universo, da ascensão dos Deuses, etc. O maior foco será escrever a história de como os Deuses Antigos chegaram ao poder, uma postagem para cada um, conforme isso for se tornando interessante/necessário. Quem quiser enviar a história de alguma divindade que tenha criado (ou de alguma citada no RPGS), basta mandar-me uma mensagem (rpgsproject@yahoo.com.br) ou postar nos comentários. Também começarei a marcar os contos que se passam em Nakuth com uma tag. Os contos não serão sequenciais, logo não será necessário ler toda a história para saber sobre um determinado Deus/Deusa. O primeiro capítulo contará sobre a criação do Universo segundo a mitologia nakuthiana e o surgimento dos primeiros Deuses, e será chamado .

A Queda dos Deuses Antigos #10 – Fuga da Gruta – Ano da Queda, Yyrm




-Ele vai ficar bem? – Perguntou Venathia. Os irmãos que partilhavam a gruta com ela e Alexandre tentavam improvisar um curativo para Loregan. O ferimento causado pela lança era grava, mas com um tratamento adequado ele viveria.

Alexandre tinha acabado de contar à elfa como conseguira escapar dos trolls quando ela e Loregan desmaiaram, segui-los escondido e entrar escondido na gruta. Pelo que o ladino contara, havia algo organizando os monstros, o que dificultava a fuga. Mas agora eles tinham a ajuda de mais dois membros no grupo.

Pelo que conversaram, os dois eram clérigos da cidade próxima de Scion e estavam investigando as estranhas luzes quando foram capturados. Ambos pareciam pessoas extremamente gentis e estavam dispostos a ajudar, até mesmo porque também estavam presos.

A garota, de longos cabelos loiros e profundos olhos azuis, possuía uma fala mansa, que acalmava o espírito das pessoas. Seu nome era Jessica. Já o irmão, Jeremy, possuía cabelos pretos e os mesmos olhos que a irmã. Seu jeito era animado e temperamental, espalhando energia para aqueles que o cercavam.

Todo o tempo os dois trabalhavam com sincronia perfeita, quase sem trocar palavras, como se fizessem aquilo há anos. Não levou muito tempo para que tivessem terminado o curativo. Agora deveriam encontrar um jeito de sair dali antes que algum troll decidisse verificar os prisioneiros.

As opções eram poucas. Com um membro ferido e inconsciente no grupo, seria impossível se deslocarem rapidamente e, apesar de não muito inteligentes, os trolls possuem sentidos aguçados. O melhor que podiam fazer é tentar a sorte e sair furtivamente.

Caminhando lentamente, Alexandre seguiu à frente do grupo, demonstrando habilidade e destreza ao abrir as portas sem produzir ruídos. O local parecia uma mescla de grutas naturais com caminhos escavados, provavelmente utilizado apenas para estoque e alojamento temporário. Pouco tempo havia se passado quando o grupo chegou à porta de saída da masmorra.

Alexandre parou em frente à porta de madeira e olhou interrogativamente para o resto do grupo. A partir de quando a porta fosse aberta, não seria possível voltar atrás. E dificilmente os trolls os deixariam vivos uma segunda vez, caso os pegassem. Uma a um, todos balançaram a cabeça em confirmação e, dando um último suspiro, o ladino puxou a maçaneta.

O Herdeiro#13 – Próximo Passo – 761 d.Q., Zacrest

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."



-Como pode saber que conseguirei com que me sigam? – Azzwiters perguntou.

A velha profetisa colocou a xícara sobre a mesa e, como se estivesse olhando para o drow, respondeu:

-Eu apenas sei, jovem. Deve confiar em mim se quiser chegar ao trono.

Azz sabia disso. Apesar de cega, aquela senhora “via” muito mais do que ele ou qualquer outro em Zanir. Já fazia muito tempo que os dois estavam ali, discutindo os passos para que a profecia de Azzwiters se cumprisse e, ele reconhecia o valor de tais informações.

-A partir de então, deve tomar muito cuidado. A Tecelã saberá o que está fazendo, e não gostará nada disso. Um passo em falso e você será esmagado – continuou a profetisa.

-O que devo fazer então, senhora?

-O povo de Zanir estará empolgado com a eminente investida à capital élfica. As atividades de preparação para a guerra os manterão ocupados. Mantenha uma ilusão sua na cidade e vá para...

-Espere aí, o que acontece se alguém tentar conversar com minha ilusão? Não consigo criar uma poderosa suficiente para responder sem que eu esteja por perto.

-Não se preocupe, a Coroa lhe dará poder para isso. Mas como eu dizia, assim que a ilusão estiver pronta, vá para o Domínio dos Demônios. Você precisa encontrar o mapa para o Castelo de Kahla-fah, e o único exemplar existente está em posse de Nakt Rul, general das tropas abissais.

-E para que preciso desse castelo?

Algo na face da velha mostrava que estava empolgada. A resposta para a pergunta que Azz fizera a animava extremamente.

-Para encontrar o Grimório de Jessica.

O Herdeiro#12 – Um Novo Governo – 765 d.Q., Zacrest


É claro que as sacerdotisas de Zanir eram completamente contra o governo de Azzwiters, mas não poderiam declarar isso abertamente. A maioria dos drow estava empolgada com essa mudança drástica na política local. Em toda a história dos elfos negros, houve poucos homens envolvidos na política, e mesmo assim, apenas em funções secundárias. Nunca antes uma cidade havia sido comandada por um macho da espécie. O que animava tanto a população da cidade subterrânea era os ideais imperialistas de Azz. A vitória sobre os elfos tinha renovado o espírito patriótico dos drow, e todos sabiam que com o Filho-do-Mal no comando, tal povo alcançaria grande poder.

Não havia nada que as sacerdotisas pudessem fazer a respeito. Qualquer tentativa de devolver o governo às clérigas da Deusa seria provavelmente respondida com a morte, seja causada pela população ou pelo próprio Azz. A única esperança que lhes restava estava na própria Dama Negra. O golpe de Azzwiters não era apenas uma questão política, mas também uma afronta direta à deusa patrona dos drow, uma ameaça direta à sua autoridade. E Ela sabia muito bem disso. Azz precisava ser controlado cuidadosamente ou poderia afetar o poder da Dama como divindade.

Mas ainda era cedo para intervir, Ela acreditava. O governo de Azz poderia até mesmo Lhe ser beneficial. Ele certamente tentaria expandir o reino drow, sempre ambicioso demais, e, mais cedo ou mais tarde, acabaria caindo por causa de tal sede por poder.

Azzwiters, porém, tinha outros planos. A expansão de seu futuro império poderia esperar. Antes era necessário que seu governo estivesse estabilizado e que tivesse apoio de todo o reino. Cada passo seu agora seria vigiado pela Deusa, e o cuidado deveria ser redobrado. A partir daquele dia, Ela seria seu pior inimigo, e, quando menos esperasse, Azz também a derrotaria.

Mas ainda era muito cedo para aquilo. Havia muito caminho a ser cruzado ainda e seu primeiro ato seria declarar guerra à nação élfica. Com isso, Azzwiters mantinha os drow satisfeitos e iniciava sua campanha de dominação.

A invasão já estava sendo preparada. E dessa vez, não seria um simples ataque a uma vila élfica qualquer, eles começariam pela capital.

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."

Noite Sangrenta #30 – Conversa no Porão – 786 d.Q., Tycon


Podiam-se ouvir passos na rua logo acima, juntamente com o bater das asas demoníacas em algum lugar próximo. O pingar de gotas no chão de madeira apenas deixava a atmosfera mais pesada. Já fazia algumas horas que Lyrot e Nassar estavam escondidos naquele porão escuro, e os demônios lá fora não pareciam estar nem perto de desistir da caça.

Os dois haviam lutado até o amanhecer e o cansaço tomava conta de seus corpos, fazendo-os pesar como rochas. Desde que o primeiro cultista caíra morto na noite passada, os habitantes de Lepport começaram a transformar-se em criaturas demoníacas, dotadas de asas, garras e dentes enormes. Por mais que eles continuassem matando os inimigos, sempre apareciam mais deles e, apesar da enorme habilidade dos dois ex-guardiões, ficava cada vez mais certo que aquela batalha não podia ser vencida.

-O que está acontecendo nessa cidade, Nassar? – Lyrot perguntou arfando de cansaço.

-Eu tentei lhe avisar, mas você não me ouviu. A Nevaeh tomou conta de Lepport há meses, não há o que fazer!

-Navaeh? O que é isso?

-É uma organização de cultistas que deseja, sabe-se lá por que, fazer com que o mundo seja dominado por demônios. Desde que os drows começaram a se aproximar ao Sul eles ficaram mais agitados. Para mim, o Príncipe-Demônio Xt’Sarath deve ter algo a ver com aquele Azzwiters. Eu tentei investigar, mas fui pego e aprisionado. Assim que consegui fugir daqui, você me encontrou na hospedaria.

O arqueiro foi interrompido pelo som de algo se movendo no andar de cima. Parecia algo bastante pesado e lento. Pouco depois, Nassar continua, dessa sussurrando:

-Olha aqui, nós provavelmente não sairemos vivos daqui, e se não fosse por mim, você já estaria entregue aos urubus, então nada disso importa.

Lyrot parou para pensar por um instante. Quando os dois trabalhavam juntos, costumava-se dizer que Nassar nunca errava um tiro, e ele nunca testemunhara alguma ocasião em que tal mito fosse desmascarado. Mas mesmo assim seria impossível destruir todos os demônios, por mais que o arqueiro acertasse todas as flechas, havia mais inimigos do que era possível conter com o arco, até mesmo com o auxilio da licantropia. Além disso, cedo ou tarde a munição acabaria, e, se isso ocorresse, os dois não durariam um minuto.

-Nós temos que ir para a base da Navaeh. Você consegue nos levar lá?

Nassar olhou atônito para o colega. Ele só poderia estar louco, invadir a base dos demônios só poderia resultar em morte certa. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, um som o fez parar.

Alguém estava abrindo a porta do porão.