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Boa leitura!
Noite Sangrenta #25 – Nassar – 786 d.Q., Tycon
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Noite Sangrenta #24 – Viajando – 786 d.Q., Tycon

O dia se arrastava longamente para Lyrot. As nuvens escuras e pesadas pairavam baixas no céu. O sol que já pouco iluminava, agora ia baixando no horizonte coberto de cinza. As sombras da noite aos poucos começavam a cobrir a terra de forma assustadora. Não havia sequer um sinal de que estivesse se aproximando de alguma cidade e, como estava a pé, a viagem seria penosa.
Após ter lido algumas partes do livro que encontrara no Mausoléu, as suspeitas de Lyrot se confirmaram. Grande parte do tomo continha uma série de rituais de invocações de demônios e outros seres das trevas. E dentre eles havia um que permitia abrir um portal para a passagem de Xt’Sarath. Se algo do tipo acontecesse, este mundo estaria fadado a um governo de morte e destruição sem precedentes.
E era por isso que Lyrot continuaria seu caminho, chovesse ou não. Ele deveria descobrir uma forma de eliminar a organização dos cultistas. E, se tudo corresse conforme o esperado, ele conseguiria encontrar sua irmã.
E uma coisa estava diferente para Lyrot agora. Parte dele aceitava o Lobo que existia dentro dele e, se fosse necessário, não hesitaria em usá-lo. A fada o havia convencido de que poderia controlar a Fera se treinasse bastante. E inimigos não faltariam para esse propósito.
As primeiras gotas de chuva começavam a cair na estrada de terra quando Lyrot finalmente avistou alguns pontos de luz ao longe. Provavelmente tratava-se de uma taverna de beira de estrada, o que caía muito bem para o guerreiro. Talvez fosse hora de parar para um descanso, ao menos até que a chuva passasse.
Enquanto corria, Lyrot fazia uma breve revisão de sua longa conversa com a ninfa na casa-na-árvore. Ela parecia realmente interessada em fazê-lo usar sua licantropia cada vez mais, e isso era muito estranho. Mas algo no jeito da criatura o fazia acreditar nela. E caso estivesse errado, provavelmente se arrependeria amargamente disso.
Após uma corrida exaustiva em meio à chuva, Lyrot conseguiu chegar à porta da hospedaria. O lugar parecia aconchegante, exceto pelas sombras das árvores que se agitavam por causa do vento, causando um efeito assustador.
O guerreiro passaria a noite ali. Só depois, ele poderia sair em busca daquele que o ajudaria a encontrar os cultistas. A única pessoa que Lyrot sabia que tinha conhecimento suficiente sobre demônios para dizer como impedir a vinda do Príncipe-Demônio ao mundo humano.
E o nome dessa pessoa era Nassar “Tiro-Certo” Blomberg.
Noite Sangrenta #23 – Visita Inesperada – 786 d.Q., Tycon

Já era meio da tarde quando Lyrot finalmente se entrou casa-na-árvore. Cansado dos últimos dias, o guerreiro ainda teria muito que fazer antes que pudesse deitar-se em uma cama. O terror que passara recentemente na mansão Greer, no pântano e no Mausoléu de Birk o atormentaria por várias noites tumultuadas. Isso quando ele finalmente pudesse descansar.
E esse momento não chegaria por um bom tempo. Agora que possuía o livro dos cultistas, ele tinha muito que pesquisar. Apesar de conhecer razoavelmente bem a linguagem antiga usada no tomo, Lyrot demoraria algum tempo para que pudesse compreender todo o seu conteúdo. E se quisesse encontrar a sua irmã, deveria fazer isso o mais cedo possível.
As últimas palavras de Bismor ainda ecoavam em sua mente quando o guerreiro colocou os pés no assoalho da casa. Algo grande estava para acontecer, e Lyrot tinha a impressão de que, o que quer que fosse, estava profundamente relacionado com Xt’Sarath. Ainda compenetrado em seus pensamentos, o ex-guardião sentou-se na velha cama sem perceber quem estava no cômodo esperando por ele.
-Vejo que está cansado, Lyrot – A voz parecia vinda das profundezas de um lago frio.
Com um susto, Lyrot se vira, puxando seu recém adquirido machado da cintura. Não demorou muito para que reconhecesse a fada que o ajudara a encontrar o Mausoléu.
-É normal depois de lutar com uma horda de zumbis mais um grupo de cultistas satânicos – A resposta seca de Lyrot fez com que uma cara de reprovação surgisse no rosto da ninfa.
-Que bom que você conseguiu eliminar a ameaça que corrompia a floresta. Mas acho que você já entendeu que o grupo do Mausoléu era apenas um ramo do carvalho. E quando descobrir o que está escrito naquele livro saberá o que fazer.
-Como sabe do livro? Andou mexendo nas minhas coisas?
-Na verdade eu já esperava que você o trouxesse. Digamos que foi “intuição”.
Lyrot não gostava nem um pouco de todo aquele ar misterioso da fada. Depois de ter descoberto que até mesmo um dos Guardiões estava a serviço do Príncipe-Demônio, aquela estranha criatura sobrenatural era uma grande suspeita. Aparentemente lendo seus pensamentos, a ninfa começou a falar:
-Não acredita que eu esteja tentando te ajudar? – O som suave da voz da criatura refrescava a alma de Lyrot como um banho de rio – Talvez ajude se eu te disser que com esse livro você poderá chegar até sua querida Kate...
A Queda dos Deuses Antigos #6 – Pedido – Ano da Queda, Yyrm

Noite Sangrenta #22 – Nova Caça – 786 d.Q., Tycon
A porta dupla do salão se abriu com um estrondo. Lyrot entrou pisando forte, a cabeça cheia de hipóteses e teorias. A imagem do terrível demônio ainda preenchia sua mente, terrível e ameaçador. O livro estava guardado em sua casa para que fosse analisado depois, mas era como se estivesse aberto na sua frente, mostrando todas aquelas imagens cheias de sangue e dor.
O guardião percorreu toda a extensão do salão até se aproximar do trono do Conde. Sem maiores cerimônias, Lyrot soltou a cabeça de Bismor Morte-Negra aos pés do seu senhor.
-A missão foi terminada – Disse o guardião, sem tirar os olhos do Conde – Bismor liderava um grupo de cultistas que causavam as perturbações de que o senhor falou. Todos foram eliminados e em breve tudo voltará ao normal.
Sem se incomodar com o crânio manchando seu tapete, o Conde de Tycon fala com um tom de orgulho:
-É por isso que você é um dos meus favoritos, Lyrot. Quando te peço para fazer alguma coisa você faz. Seu poder me surpreende cada dia mais.
-Então por que não me ajuda a encontrar minha irmã como prometeu? A cada dia que passa tudo o que eu recebo são mais e mais mortes para carregar em minhas costas enquanto Kate continua perdida.
-Não diga isso, Lyrot. Você sabe tanto quanto eu que eu tenho tentado o máximo possível, mas meus esforços parecem não ser o suficiente...
O guardião sabia o quanto aquilo era mentira. Cada palavra do nobre ameaçava a tênue barreira que segurava a raiva de Lyrot.
-Talvez nós estejamos errados – Foi a frase menos ofensiva que conseguiu dizer. Para ele não faria mais diferença o que o Conde pensava. O desejo de Lyrot era nunca mais ver aquele homem em sua frente. Havia decidido que se quisesse encontrar Kate, teria que fazer isso com suas próprias mãos – Vou me retirar agora.
Sem esperar uma resposta do Conde, Lyrot virou-se e saiu a passos largos do salão. Agora, ele voltaria para casa. E, sem o Conde em seu caminho, ele só tinha que se concentrar em encontrar sua irmã. E a única pista que tinha no momento era o livro.
Ele não tinha aliados em quem confiar, não tinha senhores a quem servir, nem tropas a comandar. Tudo o que estava ao seu alcance era sua força de vontade e seu poder. E seria o suficiente para causar um bom estrago.
A caça começava agora.