
Durante todo o tempo em que caminharam sob o céu chuvoso, nenhuma palavra foi dita. O modo como Nassar andava apenas deixava o ar mais denso. Passos furtivos de quem há muito se escondia de terrores inimagináveis. O tempo todo o arqueiro olhava atentamente para algum ponto no campo ao lado da estrada pensando ter visto algum movimento. Não havia dúvidas de que algo o perturbava.
Após o que pareceu a Lyrot uma eternidade caminhando na terra ainda molhada da estrada, Nassar finalmente parou. Com o olhar atento, ele diz:
-Acho que aqui está bom. Não teremos problemas com demônios por aqui se terminarmos rápido com isso.
O modo como Nassar foi direto ao ponto em questão surpreendeu Lyrot. Ele nem ao menos tinha dito o que exatamente estava querendo saber.
-Preciso que você me diga tudo o que sabe sobre Xt’Sarath e sobre os rituais para trazê-lo ao nosso mundo – Pediu Lyrot ao velho companheiro.
-Não adianta tentar – Declarou Nassar com um suspiro – O poder da Nevaeh é muito grande para que você possa impedir. Acredite no que eu digo, tudo o que conseguirá é atrair um destino tão terrível para si que eu não desejaria nem mesmo para meus inimigos.
-Eu preciso de sua ajuda, você é o único que pode me dar as informações de que preciso!
-Lyrot, eu mesmo estive envolvido na mesma caçada que você por vários anos, e tudo o que consegui foi dor, sofrimento e condenação – A face do arqueiro parecia adquirir um tom mais sombrio enquanto as lembranças viam à mente – Não há nada que possa ser feito.
-Você não entende! O destino da humanidade pode estar em jogo. E tudo o que você me diz é que não há nada que possa ser feito?
-Engraçado. Achei que você não se importasse tanto assim com a vida dos outros. É meio incoerente para um monstro assassino e sanguinolento, não acha? – O tom de sarcasmo era evidente na voz de Nassar – Ou talvez tenha algo mais por trás disso tudo. Quem sabe sua tão querida Kate?
O rosto de Lyrot ficava cada vez mais vermelho de raiva. Ele não podia acreditar que seu velho amigo tivesse mudado tanto. Pisando duro, volta a seguir a estrada dizendo:
-Ótimo, se não vai me ajudar, eu encontrarei a sede do culto sozinho.
-Se você realmente quer tão desesperadamente abraçar a morte, vá em frente. Basta seguir até Lepport, há 10 quilômetros daqui. Só não espere voltar algum dia.
Sem responder, Lyrot continuou pelo caminho, esperando que as palavras do amigo não fossem verdade.