
Role-playing game Stories.
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Boa leitura!

"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."
Azzwiters já podia sentir o poder da Coroa em suas mãos. Não importava o quanto a porta estivesse lacrada, o drow entraria ali de qualquer forma. Não só o destino dos elfos negros estava em jogo ali. Todo o futuro do Cosmo estava sendo decidido nesse ataque.
Com sua simples força de vontade, o Filho-do-Mal rompeu todos os selos mágicos, trancas e armadilhas que protegiam a passagem. Para Azz, aquilo era tão fácil quanto respirar. A porta lentamente girou sobre seu eixo para revelar o interior do enorme salão. Inteiramente contido em uma árvore típica de cidades élficas da região, o local parecia apresentar uma luminosidade natural que destacava o pedestal no centro da sala circular.
Com uma enorme força, a Coroa atraía o drow para perto de si. O mal que havia dentro daquele objeto clamava por liberdade e vingança àqueles que o aprisionaram ali em épocas passadas. Sua fina haste de metal negro continha uma enorme quantidade de espinhos que se erguiam ameaçadoramente. A energia que pulsava do artefato dava a impressão de que a alma do Maldito ainda vivia em seu interior, o que, de certa forma, não deixava de ser verdade.
Sem hesitar, Azzwiters se dirigiu ao centro do salão. Sua mão se erguia com vontade em direção à Coroa. Mas algo fez com que o elfo negro parasse no meio de sua trajetória. Um sorriso de satisfação apareceu no rosto do Filho-do-Mal. Ele ainda derramaria muito sangue naquele dia.

Apesar de toda sua experiência em batalhas, Lyrot sentia cada vez mais que não conseguiria vencer como estava. Aparentemente, o tal “veneno” iria lhe causar sérios problemas. A visão do guerreiro estava turva e a lua estava apenas parcialmente visível no céu. Agora, mais do que antes, sombras pareciam mover-se ao redor de Lyrot, ao mesmo tempo em que sons horripilantes tiravam sua concentração. Nessa luta, o guardião só poderia confiar em seus instintos.
Antes que pudesse se focar no ambiente ao seu redor, uma forte pancada na barriga o fez recurvar-se de dor. Lyrot conseguiu ver que Gilbert havia lhe dado um soco, espantando-se com a enorme velocidade do lacaio.
-Não se esqueça, Gilbert: o sangue dele é mortal para nós. Ingerir todo aquele veneno nos faria mal. – a voz de Lorde Greer parecia vinda do fundo de um túmulo enquanto pronunciava essas palavras.
Apesar de não conseguir pensar direito devido aos ataques do serviçal e ao veneno, Lyrot agora entendia grande parte do que estava acontecendo. A referência ao seu sangue fez com que a clássica imagem do Vampiro na mansão viesse à sua cabeça, o que certamente não era bom.
Depois de alguns golpes, Lyrot já não tinha a espada em suas mãos, estando esta caída no lado da sala oposto à janela. Quase nenhum humano poderia ganhar, se seus palpites estivessem corretos, de um vampiro com as mãos nuas. Cada vez que o guardião tentava golpear o lacaio, era acertado e empurrado para traz.
O sangue escorria pela boca de Lyrot e seu corpo quase não suportava mais a dor quando um chute de Gilbert o empurrou contra a janela, fazendo-o cair junto com os pedaços da vidraça. Os cacos de vidro o cortavam e penetravam na sua carne. O guardião já não podia mover seus músculos. A única imagem que Lyrot tinha na cabeça era o reflexo da lua-cheia no sangue.

Lyrot já não agüentava mais ficar rodando dentro daquele casarão silencioso sem encontrar sequer uma barata ou rato. Quanto mais ficava naquele lugar mais sentia que algo o vigiava. O guerreiro já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha se virado ao pensar ter ouvido algum barulho.
O guardião agora andava com a espada na mão e estava pronto para qualquer ataque surpresa. Mas Lyrot suspeitava que não seria tão fácil. Tendo passado por várias situações piores que essa, o guerreiro sabia que tinha que se manter calmo. Mas a cada instante era mais fácil perder a razão. Aos poucos, sons distantes e indistinguíveis começavam a aparecer.
Embora fosse impossível determinar a natureza do barulho, cada pulso da “voz” fazia gelar o coração de Lyrot. Não demorou muito para que vultos ligeiros começassem a perturbar o homem. O medo já não lhe deixava raciocinar como deveria.
Repentinamente, uma força derrubou o guerreiro no chão, como se fosse um moleque cansado. Para Lyrot, aquela foi a última gota. Correndo como um louco, o guardião não pensava mais em se esconder. Não pensava em mais nada. Apenas sua sobrevivência estava em jogo agora.
O invasor só voltou à razão quando parou em frente a uma janela. A luz pálida da lua agora chegava mansamente à mansão por uma fresta nas nuvens. Vendo a saída, Lyrot voltou ao seu estado normal.
-Ora, ora. Acho que pegamos um rato hoje, Mestre.
A voz arranhada vinha das costas do guardião e fez com que todos os seus pelos se arrepiassem. Virando-se rapidamente, Lyrot se agacha pronto para esquivar-se de um ataque, mas percebe que as duas pessoas que o observavam estavam do outro lado do salão. O menor deles era curvo e feio, com os braços longos e vestia um traje simples e sujo. Ele se escondia atrás do outro, como um cachorro assustado, sendo este uma figura elegante e esbelta, que emanava por si só uma aura de atração. Os dois, como Lyrot já sabia, eram Lorde Greer e um de seus serviçais.
-E um dos grandes, Gilbert. Sorte que ele já foi envenenado. – disse o senhor da mansão.
Não demorou muito para que Lyrot percebesse que o último comentário não tinha um significado muito bom para ele. De mesmo modo, isso lhe explicou o porquê de todas aquelas sensações amedrontadoras. Provavelmente o tal “veneno” estava lhe causando alucinações. Mas seria só isso? Ele não esperaria pra ver.
Antes que a situação piorasse, Lyrot virou-se rapidamente para a janela com intenção de pular. Assim teria feito se uma tonteira repentina não o tivesse feito cambalear. Com a visão e o equilíbrio prejudicados, o guardião não viu opção a não ser ficar e lutar.

As luzes continuaram por um bom tempo. Loregan nunca tinha visto algo do tipo em toda a sua vida, nem mesmo nas histórias de seu pai. Pensando nisso, o jovem aventureiro começa a se preocupar com o velho cavaleiro. Mesmo tendo sido treinado para combate na sua juventude, Sir Loregan já estava idoso demais para agüentar uma batalha prolongada.
Enquanto estava perdido em seus pensamentos, a elfa entra na cabana carregando alguns coelhos no braço. Fazia apenas alguns minutos que os dois tinham decidido procurar algum lugar para passarem a noite. Não tinha levado muito tempo para que encontrassem o velho casebre na beira da estrada. Apesar de o lugar parecer ter sido abandonado há pouco tempo, estava relativamente limpo e arrumado.
-Uau! Você é realmente boa nisso! – disse Loregan, encantado com a velocidade em que a garota conseguira a caça.
-Eu sou uma caçadora. E o nome é Venathia. – respondeu a elfa corando um pouco com o elogio.
-E o meu é Loregan.
Após um instante de silêncio, os dois começaram a preparar a refeição, sem dizer nenhuma palavra um para o outro. Os clarões ainda iluminavam o céu de vez em quando, mas, para eles, esse era um assunto que não importava no momento.