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Boa leitura!

Noite Sangrenta #5 - Farejando - 786 d.Q., Tycon


Lyrot sempre se sentia mal quando conversava com os mortos. Não era medo ou trauma. Havia algo nos espíritos que faziam com que o guardião tivesse calafrios na sua presença. Algo que o fazia suar frio enquanto tentava manter o diálogo sem gaguejar. 

Mas agora Lyrot não tinha tempo para isso. Ele tinha que pensar. O corpo do sujeito que ele acabara de matar tinha lhe dado informações muito importantes. Informações que decidiriam o seu destino a partir de então.

Aquilo estava fácil demais. Por que um grupo de pessoas encapuzadas se reuniria numa noite de chuva como essa apenas para dizer que tudo está indo conforme o plenejado? E pior: por que mencionariam a localização da sua base de operações? Por que o Conde havia lhe enviado para realizar uma tarefa tão fácil como essa?

Todas essas perguntas vinham ao mesmo tempo à cabeça do guerreiro. Sua mente não conseguia funcionar em sua capacidade total. A chacina recente e o contato com o espírito o haviam afetado. As gotas d’água se misturavam com o sangue no chão da mata.

O cheiro de sangue penetrava nas suas narinas cada vez mais. O calor da batalha aos poucos era substituído pelo frio da chuva. Sua cabeça estava agitada demais para raciocinar. Seria preciso relaxar para alcançar qualquer resposta.

Lyrot deixou-se levar pelas gotas nos seus ombros e afastou sua mente daquela clareira de morte. A chuva sangrenta foi desaparecendo lentamente, deixando apenas um vazio em seu lugar. 

Agora o guardião entendia. Ele já sabia o que deveria fazer a partir de agora. Lyrot jogaria o jogo do inimigo. Às vezes é preciso pular na ratoeira para pegar o queijo.

Bruscamente, Lyrot lançou-se por uma trilha velha na floresta. A noite estava apenas começando e ainda havia muito trabalho pela frente.

Ranger!

O site da Wizards disponibilizou recentemente um questionário que ao final, lhe indica qual classe de jogador (D&D 4ª edição) combina mais com você. 

O meu resultado foi o seguinte:



D&D Home Page - What Class Are You? - Build A Character - D&D Compendium


O link para o teste está acima. Basta clicar em "What Class Are You?". O teste é todo em inglês, o que pode ser um problema para alguns.

O Herdeiro #3 - Caça aos Coelhos - 764 d.Q., Zacrest



"O filho perfeito do mal,
Sobre a Terra irá reinar.
E uma escuridão sem igual,
Fará o mundo se curvar.
Novamente as trevas reinarão,
Enquanto durar a noite.
Num reino de Sombra e Solidão,
Onde a vida será um açoite."






















A luz da superfície finalmente chegou aos olhos da tropa. Para a maioria dos drow isso era um sério problema. Vulnerabilizados e ofuscados pela luz da vida, os elfos negros odiavam o sol e qualquer um que precisasse dele para sobreviver. Mas Azz não era como a maioria. E ele se aproveitava muito bem disso. Provavelmente ele achava que assim teria mais vítimas para ele.


A batalha seria uma caça. E Azzwiters procuraria sempre os coelhos mais gordos. Para ele, isso não era dever ou trabalho, mas sim uma diversão. Matar era o que ele mais gostava. E como a maioria das coisas de que se gosta, era apreciado aos poucos e longamente. Pena que sua caça não gostasse também.


O túnel terminava bem próximo da vila e não demorou muito para que os elfos negros recobreassem a visão. Agora, o ataque começaria. O Filho-do-Mau partiu como um raio, destruindo qualquer coisa que se movia. Os guardinhas da porta da cidade não eram interessantes. Definitivamente. Ele agora ia para o centro da cidade.Aonde estavam os oponentes mais fortes. Aonde estava toda a diversão.
Embora Azzwiters mal pudesse esperar por uma luta que o entretesse por algum tempo, ele tinha outros motivos para estar ali. E para ele, quanto mais gente houvesse em seu caminho melhor, fossem eles elfos ou drow...

Noite Sangrenta #4 - Chuva de Sangue - 786 d.Q., Tycon


-Por quanto tempo pretende ficar aí, tentando nos ouvir? - A voz do homem encapuzado parecia calma e segura do que estava fazendo. Todos olhavam firmemente na direção do guardião. Agora ele não tinha escolha. Tinha sido pego. Era melhor se entregar.

Lyrot saiu calmamente do meio das árvores. Seu corpo estava encharcado por causa da chuva e o frio era intenso na noite. Mas para ele, nada disso importava. A chuva o limpava e o protegia. Enquanto o céu estivesse coberto, tudo estaria bem.

-Quem te mandou nos espionar?
-Eu não recebo ordens de ninguém. Vim por que quis. - Lyrot parecia verdadeiro em sua resposta e isso aparentemente confundiu aquele que o interrogava.

O círculo de pessoas encapuzadas que havia se formado em volta do guardião parecia se fechar cada vez mais. Uma calma quase que absurda preenchia o ar, como se todos ali estivessem preparados para esse momento. E foi exatamente o que os reflexos de Lyrot demonstraram quando dois dos misteriosos membros do grupo pularam sobre ele.

Parecia que a batalha era inevitável. Mas isso não era problema para o guardião. Seu talento e experiência em combates era surpreendente. Lyrot só lutava sozinho e quase sempre vencia. Seus reflexos e sua velocidade são como os de um felino. Sua força a de um leão, e seu vigor de um urso.

Assim que os primeiros adversários mostraram suas intenções, a espada do guerreiro perfurou o peito de um deles, sem abrir a guarda para os outros. Imediatamente todo o grupo avançou contra o lutador solitário. Lyrot parecia uma criatura em fúria, saltando de um inimigo para outro, decapitando e cortando com sua lâmina. A morte era como uma doença para os encapuzados: parecia altamente contagiosa.

Em poucos instantes todos ali estavam caídos no chão, cobertos de sangue, o mesmo sangue que encharcava a capa de Lyrot. O guardião olhava pensativamente para os corpos, como se não quisesse ter feito aquilo. Gotas vermelhas se espalhavam por todo o seu corpo e ensopavam sua roupa. Tinha sido um massacre. Aos poucos a chuva dissolvia o sangue na água gelada que caía dos céus. Uma chuva que o havia ajudado nessa noite.

Lyrot tirou um pequeno saco de um bolso de sua capa e jogou cuidadosamente seu conteúdo sobre um dos cadáveres. Após uma curta pausa, acompanhada de um suspiro, o guardião sussurrou:

-Conte-me o que você viu.

Noite Sangrenta #3 - Um Encontro Às Escuras - 786 d.Q., Tycon


Já fazia bastante tempo que Lyrot esperava na floresta. As estrelas e a lua estavam cobertas por nuvens. O cheiro de chuva já enchia o ar da mata. O guardião estava escondido em uma moita há muito e nada havia se aproximado dali desde que chegara. A floresta parecia deserta. Algo realmente estava afugentando os animais. E era por isso que estava ali. Lyrot esperava que alguém ou alguma coisa aparecesse cedo ou tarde, embora fosse difícil ouvir alguma coisa: o vento era tão forte que agitava intensamente as folhas das árvores. Mas o guardião não se importava com isso. Para ele, a chuva era um calmante nas noites mais solitárias. 

Enquanto esperava agachado, os pingos de chuva começavam a cair sobre sua cabeça. Em pouco tempo ficaria difícil ouvir mesmo uma alcatéia de lobos uivando. E de repente um relâmpago iluminou o céu com tanta intensidade que Lyrot conseguiu ver de relance alguns vultos andando entre as árvores. Enquanto o som do trovão começava a ser ouvido, Lyrot se levantou cuidadosamente e foi na direção do grupo. Periodicamente, um outro relâmpago o permitia ver para onde estavam indo aquelas pessoas. 

Já fazia um bom tempo que estava seguindo o grupo misterioso que, como ele via agora, estavam cobertos por capas e capuzes, quando chegaram a uma clareira no meio da floresta. Em todo o caminho, Lyrot não tinha visto nenhum animal. Aparentemente, era isso que causava medo na floresta. A chuva, que agora já começava a ficar forte, não deixava que o guardião escutasse muito bem o que era dito pelo grupo. Lyrot se aproximava cada vez mais, e conforme o tempo passava, mais a chuva ficava forte. Já fazia um bom tempo que estavam ali quando o espião finalmente conseguiu ouvir o que estava sendo dito. E não gostou nem um pouco do que tinha ouvido. Pois estavam falando com ele.