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Qualquer história que possua o marcador Aberta pode ser escrita por qualquer visitante. Basta continuar o conto de forma coerente nos comentários ou enviando o texto por e-mail para
Boa leitura!
Aviso
"Legal, então pára de ladainha e manda o próximo capítulo."
Caros leitores, para a infelicidade de vocês, estarei saindo de viagem ainda hoje (em uns 5 minutos na verdade) e por isso, terão que esperar mais um pouco para continuarem lendo nossas histórias. Eu escrevi um artigo sobre meu tão querido RPG e poderia postá-lo agora mas, novamente, um post isolado não serve para nada. Então, Janeiro (ou antes) estou de volta com material novo para vocês. Até lá,
Boa Leitura!
Vamos Alice!
Vamos Alice eu quero caminhar.
Entre as terras do pais das maravilhas.
Para encontrar o lírio violeta.
O meu presente para minha princesa.
Alice me guie entre a floresta sussurrante.
Um presente espera Liriel, a minha amante.
Para salvar nossa paixão do feiticeiro azul.
E perpetuar a paz nos campos do sul.
Toque em minha mão Alice.
E asas conceda-me.
Para entre as brumas mágicas.
Eu encontrar a rubra jóia.
Vamos Alice eu quero ver os elfos.
Ir até Valfenda encontrar o sábio eterno.
Traduzir as estrelas da noite.
Levar a salvação para a minha amante.
Alice é vasta a fantasia de suas terras.
Um presente para uma alma melancólica.
A salvação para minha certa derrota.
O elisio do artefato que me dará a vitoria.
Batize-me com pó de estrelas.
E eu voarei até elas.
Para entre os véus do universo.
Achar a salvação para meu sentimento.
Vamos Alice preciso caminhar entre estes campos.
Para encontrar o farol que salva sonhos.
Vamos Alice, pois Liriel espera.
O meu amor, sua salvação , minha presença.
Nova Série - Toda História Tem um Começo
A Queda dos Deuses Antigos #10 – Fuga da Gruta – Ano da Queda, Yyrm
O Herdeiro#13 – Próximo Passo – 761 d.Q., Zacrest
O Herdeiro#12 – Um Novo Governo – 765 d.Q., Zacrest
Noite Sangrenta #30 – Conversa no Porão – 786 d.Q., Tycon
Noite Sangrenta #29 – Um Tiro Certeiro – 786 d.Q., Tycon
A Queda dos Deuses Antigos #9 – Presos na Gruta – Ano da Queda, Yyrm
Novo Twitter do RPGS
Foi criado recentemente um Twitter para o blog. Acompanhem as notícias pelo link ou clicando na imagem do livrinho azul na parte superior esquerda do site.
Boa Leitura!
A Queda dos Deuses Antigos #8 – Batalha na Estrada – Ano da Queda, Yyrm
Sunflower - Nícolas B./Túlio C.
Noite Sangrenta #28 – Em Cada Um – 786 d.Q., Tycon
Lyrot observava tudo com atenção da sua mesa. Sentado no canto, com o capuz mantendo o rosto oculto, o guerreiro esperava por algum sinal. A aura de maldade que inundava seus sentidos o deixava apreensivo, o tempo todo à espera de um ataque. Mais algumas horas assim e ele provavelmente sacaria seu machado ao menor sinal de movimento de uma garçonete qualquer. Ele não podia mais esperar, deveria começar agora mesmo, e se a chuva o atrapalharia a investigar lá fora, iniciaria a busca ali mesmo.
Levantando-se lentamente e tentando chamar o mínimo de atenção possível, Lyrot dirigiu-se ao balcão. Por mais que tentasse ser discreto, vários olhares se dirigiam ao ex-guardião, como se tivessem algum interesse nele. Parecia-lhe que todos ali o observavam atentamente. Nem mesmo foi necessário que Lyrot chamasse o taverneiro, já que até mesmo esse parecia atento ao guerreiro.
-O senhor poderia me dar algumas informações? – Perguntou Lyrot em voz baixa.
-Que tipo de informações você procura, andarilho? – Respondeu-lhe o homem, enquanto limpava uma caneca.
Lyrot sabia que muito cuidado era necessário agora. A palavra errada na frase errada poderia fazer o taberneiro ficar calado ou pior.
-Um amigo me disse que eu poderia encontrar filhos do abismo aqui nessa cidade...
O guerreiro interrompeu a frase no meio, algo no rosto do taverneiro tinha lhe causado uma sensação estranha. Uma movimentação súbita e quase que simultânea começou em toda a taverna. Todos ali se mexiam em suas cadeiras como que se preparando para se levantarem.
Agora Lyrot entendia. Toda aquela perversidade que ele sentia cercando-o agora fazia sentido. Ele não precisava mais procurar pelos demônios, pois eles já o haviam encontrado. E Lyrot não estava nem um pouco preparado para isso. Os avisos amedrontados de Nassar agora podiam ser compreendidos. Pois não era da cidade que vinha aquela aura maligna, mas sim de seus habitantes.
Tentando desesperadamente escapar do lugar, Lyrot correu para fora da taverna, sem ao menos olhar para trás. Virou em várias ruas para despistar seus perseguidores, até notar que não estava havia ninguém atrás dele. O guerreiro nem ao menos teve tempo para se perguntar por que o tinham deixado escapar quando percebeu a verdade.
Ele já estava cercado.
Um Poema Sobre Elfos
Balada de Glorfindon
Nos verdes campos de Atergion
Morava um elfo ferreiro
de nome Glorfindon
de joias um poderoso refinador.
Em um outono belo.
Seu coração imortal palpitou.
E a ela seu amor entregou.
Para provar sua devoção
em terras de escuridão
Buscou um minério raro.
Azul e belo como o horizonte.
Então no fogo ardente
e no tinir do martelo pulsante
Lapidou e formou belamente
Um anel que como estrela brilhava a noite.
Em cortejo pediu à Leowyn sua mão.
E ela com um sorriso retribuiu a paixão
E na primavera posterior.
Eles se uniram formando um só.
Mas triste é o desfecho dessa canção.
Pois uma batalha ameaçou essa paixão.
Mostrando que nem os elfos podem escapar.
Das lamurias que assolam as almas.
Em uma noite de grande lua.
A carruagem elfica se dirigia para Areliária.
Mas sua viajem foi interropida
Por um assalto que culminou em batalha.
Leowyn com o barulho chorava.
Enquanto Glorfindon a espada empunhava.
Orcs ateavam chamas e atacavam com massas.
No furor de uma batalha dramática.
Até o amanhecer perdurou o combate.
Elfos e orcs encontraram a morte.
No chão havia dor e sangue.
Mas a tristeza ainda seria mais forte.
Pois ao chegar em sua carruagem
Glorfindon chorou.
Ao ver o corpo da elfa que um dia amou.
Sabor amargo em seus labios provou.
E nem a lembrança de sua paixão.
Ficou em suas mãos.
Pois o anel de Leowyn na batalha foi perdido.
Levado por orcs ou furtado pelo destino.
E desse tempo até seu fim.
Chorou nas terras elficas de Aurim
Siliencioso e tão amargo.
Glorfindon o ferreiro solitário.
O Herdeiro#11 – Rumo ao Trono – 765 d.Q., Zacrest
A Queda dos Deuses Antigos #7 – Alexandre – Ano da Queda, Yyrm

Noite Sangrenta #27 – Lepport – 786 d.Q., Tycon

Lyrot podia sentir que havia algo de errado na cidade. As ruas bem organizadas de Lepport dirigiam-se ao centro, onde seus belos edifícios pareciam se concentrar. Pessoas de várias raças andavam com pressa. As construções se erguiam majestosamente por todos os lados. Comerciantes anunciavam seus produtos nas portas das lojas. À maioria, aquela pareceria uma cidade normal.
Mas alguma coisa fazia com que Lyrot tivesse uma má impressão sobre o lugar desde que adentrara seus portões. Cada som que ouvia nas ruas fazia com que o guerreiro se arrepiasse. As sombras que via com o canto dos olhos levavam-no a virar-se constantemente, esquivando-se de ataques inexistentes. Até mesmo a própria cidade emanava uma aura que o atormentava.
E a cada instante que se passava, essas sensações só aumentavam. Talvez, ele pensava, fosse apenas sua imaginação. Ninguém mais ali parecia estar tendo problemas com qualquer coisa do tipo. As pessoas seguiam seus caminhos sem se preocuparem com demônios ou fantasmas.
De certa forma, isso não era bom para Lyrot. Ele precisaria encontrar alguém que soubesse mais do que ele sobre todo aquele assunto. E o que quer que os cultistas estivessem fazendo, não parecia que fosse algo que chamasse muita atenção. O aviso de Nassar parecia completamente sem fundamentos agora que estava dentro de Lepport.
Novamente, pequenas gotas de chuva começaram a cair do céu. As pessoas se apressavam para chegarem aos lugares a que se dirigiam. Lyrot não encontraria nenhuma pista da organização enquanto não tivesse um plano, e a chuva não ajudava em nada. Foi com isso em mente que o guerreiro se dirigiu ao alojamento mais próximo.
O edifício apresentava três andares, que, a partir da base, iam diminuindo de tamanho. Assim que entrou no pequeno saguão de entrada, uma onda de calafrios percorreu o corpo de Lyrot. Aparentemente, não havia nada de suspeito naquele lugar, mas algo no guerreiro lhe dizia que havia algo estranho. E, durante os longos anos de trabalho como guardião, ele havia aprendido a confiar em seus instintos.
Afinal, toda aquela cidade parecia sombria e maligna. Cada pedra das ruas possuía uma aura de perversidade que nem mesmo o mais virtuoso cavaleiro poderia suportar. Para Lyrot, estava claro que os demônios estavam por trás disso. Só restava encontrar provas.
Enquanto esperasse o tempo melhorar, ele poderia pensar no que faria, e isso não seria fácil. Não havia nenhuma informação sobre onde poderia encontrar os cultistas e dificilmente encontraria alguém que soubesse de algo.
O único meio que conseguia pensar para descobrir algo, era perguntar. Só precisava saber para quem.
Noite Sangrenta #26 – O Caminho Para o Inferno – 786 d.Q., Tycon

Durante todo o tempo em que caminharam sob o céu chuvoso, nenhuma palavra foi dita. O modo como Nassar andava apenas deixava o ar mais denso. Passos furtivos de quem há muito se escondia de terrores inimagináveis. O tempo todo o arqueiro olhava atentamente para algum ponto no campo ao lado da estrada pensando ter visto algum movimento. Não havia dúvidas de que algo o perturbava.
Após o que pareceu a Lyrot uma eternidade caminhando na terra ainda molhada da estrada, Nassar finalmente parou. Com o olhar atento, ele diz:
-Acho que aqui está bom. Não teremos problemas com demônios por aqui se terminarmos rápido com isso.
O modo como Nassar foi direto ao ponto em questão surpreendeu Lyrot. Ele nem ao menos tinha dito o que exatamente estava querendo saber.
-Preciso que você me diga tudo o que sabe sobre Xt’Sarath e sobre os rituais para trazê-lo ao nosso mundo – Pediu Lyrot ao velho companheiro.
-Não adianta tentar – Declarou Nassar com um suspiro – O poder da Nevaeh é muito grande para que você possa impedir. Acredite no que eu digo, tudo o que conseguirá é atrair um destino tão terrível para si que eu não desejaria nem mesmo para meus inimigos.
-Eu preciso de sua ajuda, você é o único que pode me dar as informações de que preciso!
-Lyrot, eu mesmo estive envolvido na mesma caçada que você por vários anos, e tudo o que consegui foi dor, sofrimento e condenação – A face do arqueiro parecia adquirir um tom mais sombrio enquanto as lembranças viam à mente – Não há nada que possa ser feito.
-Você não entende! O destino da humanidade pode estar em jogo. E tudo o que você me diz é que não há nada que possa ser feito?
-Engraçado. Achei que você não se importasse tanto assim com a vida dos outros. É meio incoerente para um monstro assassino e sanguinolento, não acha? – O tom de sarcasmo era evidente na voz de Nassar – Ou talvez tenha algo mais por trás disso tudo. Quem sabe sua tão querida Kate?
O rosto de Lyrot ficava cada vez mais vermelho de raiva. Ele não podia acreditar que seu velho amigo tivesse mudado tanto. Pisando duro, volta a seguir a estrada dizendo:
-Ótimo, se não vai me ajudar, eu encontrarei a sede do culto sozinho.
-Se você realmente quer tão desesperadamente abraçar a morte, vá em frente. Basta seguir até Lepport, há 10 quilômetros daqui. Só não espere voltar algum dia.
Sem responder, Lyrot continuou pelo caminho, esperando que as palavras do amigo não fossem verdade.
O Herdeiro#10 – Massacre – 765 d.Q., Zacrest

Azzwiters deveria esperar que os elfos se aproximassem das muralhas da cidadela drow antes de se envolver em batalha. A ilusão que criara de si mesmo ainda estava em meio aos inimigos, e se o vissem ela seria desfeita. Claro que ao perceberem que foram traídos recuariam imediatamente.
O ataque seria claramente um massacre. O número de elfos-negros superava em muito o de atacantes, e ainda devem-se considerar as defesas da cidade. A decisão do líder élfico em organizar tal ataque havia sido uma loucura, e suas tropas sabiam disso. Com moral e números baixos, os elfos estavam fadados à morte.
A chuva de flechas começou assim que o primeiro soldado atacante chegou aos pés da muralha. E foi nesse mesmo instante que Azz pulou pela ameia do muro. Sua espada élfica reluzia refletindo a luz das tochas. Algo na lâmina clamava por batalha. E o Filho-do-Mal queria com toda sua vontade realizar tal desejo. Sua arma seria alimentada com o sangue de seus forjadores e antigos donos.
“Traiçoeira”, pensava Azz, esse seria o nome da espada que carregava. Criada por elfos, voltada contra os elfos. O drow podia sentir o poder que pulsava dentro do metal leve e trabalhado da arma. Um poder que ansiava por matar, provavelmente absorvendo os sentimentos de seu novo portador. E com ela, Azzwiters marcaria seu reino com sangue e guerra.
Durante horas o sangue élfico caiu sobre o solo subterrâneo. E durante horas Azzwiters girou sua Traiçoeira no campo de batalha. O meio-demônio era o terror da batalha, simplesmente cortando tudo o que via pela frente com a mesma facilidade com que se rasga uma folha de pergaminho. Não havia naquele confronto nenhuma força que pudesse ferir tal máquina de matar. Os atacantes caíam aos montes ao se aproximarem de Azz, um atrás do outro. E o guerreiro não parecia se cansar. Pelo contrário, a cada instante de luta suas energias pareciam renovadas.
Quando finalmente apenas um elfo restava, Azz aproximou-se da vítima. Ele sabia que ninguém atiraria no sobrevivente. Os drows tinham medo do Filho-do-Mal, e nenhum deles tiraria um alvo dele.
Mas para a tristeza de Azzwiters, seus planos o impediam disso. Aquele último elfo deveria viver, ao menos o suficiente para contar o restante de sua raça sobre o massacre que ocorrera na cidadela drow.
Com uma velocidade surpreendente, Azz aproximou-se do elfo remanescente e, enquanto ele fugia apavorado, disse-lhe:
-Dessa vez viverá, mas não terá a mesma sorte por muito mais tempo! Aliás, nenhum dos de sua raça...
E ao fazer tal afirmação, ficou um passo mais próximo de torná-la verdadeira.
Memórias de um Rei - Capítulo 5 - 112 D.C

Noite Sangrenta #25 – Nassar – 786 d.Q., Tycon
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Noite Sangrenta #24 – Viajando – 786 d.Q., Tycon

O dia se arrastava longamente para Lyrot. As nuvens escuras e pesadas pairavam baixas no céu. O sol que já pouco iluminava, agora ia baixando no horizonte coberto de cinza. As sombras da noite aos poucos começavam a cobrir a terra de forma assustadora. Não havia sequer um sinal de que estivesse se aproximando de alguma cidade e, como estava a pé, a viagem seria penosa.
Após ter lido algumas partes do livro que encontrara no Mausoléu, as suspeitas de Lyrot se confirmaram. Grande parte do tomo continha uma série de rituais de invocações de demônios e outros seres das trevas. E dentre eles havia um que permitia abrir um portal para a passagem de Xt’Sarath. Se algo do tipo acontecesse, este mundo estaria fadado a um governo de morte e destruição sem precedentes.
E era por isso que Lyrot continuaria seu caminho, chovesse ou não. Ele deveria descobrir uma forma de eliminar a organização dos cultistas. E, se tudo corresse conforme o esperado, ele conseguiria encontrar sua irmã.
E uma coisa estava diferente para Lyrot agora. Parte dele aceitava o Lobo que existia dentro dele e, se fosse necessário, não hesitaria em usá-lo. A fada o havia convencido de que poderia controlar a Fera se treinasse bastante. E inimigos não faltariam para esse propósito.
As primeiras gotas de chuva começavam a cair na estrada de terra quando Lyrot finalmente avistou alguns pontos de luz ao longe. Provavelmente tratava-se de uma taverna de beira de estrada, o que caía muito bem para o guerreiro. Talvez fosse hora de parar para um descanso, ao menos até que a chuva passasse.
Enquanto corria, Lyrot fazia uma breve revisão de sua longa conversa com a ninfa na casa-na-árvore. Ela parecia realmente interessada em fazê-lo usar sua licantropia cada vez mais, e isso era muito estranho. Mas algo no jeito da criatura o fazia acreditar nela. E caso estivesse errado, provavelmente se arrependeria amargamente disso.
Após uma corrida exaustiva em meio à chuva, Lyrot conseguiu chegar à porta da hospedaria. O lugar parecia aconchegante, exceto pelas sombras das árvores que se agitavam por causa do vento, causando um efeito assustador.
O guerreiro passaria a noite ali. Só depois, ele poderia sair em busca daquele que o ajudaria a encontrar os cultistas. A única pessoa que Lyrot sabia que tinha conhecimento suficiente sobre demônios para dizer como impedir a vinda do Príncipe-Demônio ao mundo humano.
E o nome dessa pessoa era Nassar “Tiro-Certo” Blomberg.
Noite Sangrenta #23 – Visita Inesperada – 786 d.Q., Tycon

Já era meio da tarde quando Lyrot finalmente se entrou casa-na-árvore. Cansado dos últimos dias, o guerreiro ainda teria muito que fazer antes que pudesse deitar-se em uma cama. O terror que passara recentemente na mansão Greer, no pântano e no Mausoléu de Birk o atormentaria por várias noites tumultuadas. Isso quando ele finalmente pudesse descansar.
E esse momento não chegaria por um bom tempo. Agora que possuía o livro dos cultistas, ele tinha muito que pesquisar. Apesar de conhecer razoavelmente bem a linguagem antiga usada no tomo, Lyrot demoraria algum tempo para que pudesse compreender todo o seu conteúdo. E se quisesse encontrar a sua irmã, deveria fazer isso o mais cedo possível.
As últimas palavras de Bismor ainda ecoavam em sua mente quando o guerreiro colocou os pés no assoalho da casa. Algo grande estava para acontecer, e Lyrot tinha a impressão de que, o que quer que fosse, estava profundamente relacionado com Xt’Sarath. Ainda compenetrado em seus pensamentos, o ex-guardião sentou-se na velha cama sem perceber quem estava no cômodo esperando por ele.
-Vejo que está cansado, Lyrot – A voz parecia vinda das profundezas de um lago frio.
Com um susto, Lyrot se vira, puxando seu recém adquirido machado da cintura. Não demorou muito para que reconhecesse a fada que o ajudara a encontrar o Mausoléu.
-É normal depois de lutar com uma horda de zumbis mais um grupo de cultistas satânicos – A resposta seca de Lyrot fez com que uma cara de reprovação surgisse no rosto da ninfa.
-Que bom que você conseguiu eliminar a ameaça que corrompia a floresta. Mas acho que você já entendeu que o grupo do Mausoléu era apenas um ramo do carvalho. E quando descobrir o que está escrito naquele livro saberá o que fazer.
-Como sabe do livro? Andou mexendo nas minhas coisas?
-Na verdade eu já esperava que você o trouxesse. Digamos que foi “intuição”.
Lyrot não gostava nem um pouco de todo aquele ar misterioso da fada. Depois de ter descoberto que até mesmo um dos Guardiões estava a serviço do Príncipe-Demônio, aquela estranha criatura sobrenatural era uma grande suspeita. Aparentemente lendo seus pensamentos, a ninfa começou a falar:
-Não acredita que eu esteja tentando te ajudar? – O som suave da voz da criatura refrescava a alma de Lyrot como um banho de rio – Talvez ajude se eu te disser que com esse livro você poderá chegar até sua querida Kate...
A Queda dos Deuses Antigos #6 – Pedido – Ano da Queda, Yyrm

Noite Sangrenta #22 – Nova Caça – 786 d.Q., Tycon
A porta dupla do salão se abriu com um estrondo. Lyrot entrou pisando forte, a cabeça cheia de hipóteses e teorias. A imagem do terrível demônio ainda preenchia sua mente, terrível e ameaçador. O livro estava guardado em sua casa para que fosse analisado depois, mas era como se estivesse aberto na sua frente, mostrando todas aquelas imagens cheias de sangue e dor.
O guardião percorreu toda a extensão do salão até se aproximar do trono do Conde. Sem maiores cerimônias, Lyrot soltou a cabeça de Bismor Morte-Negra aos pés do seu senhor.
-A missão foi terminada – Disse o guardião, sem tirar os olhos do Conde – Bismor liderava um grupo de cultistas que causavam as perturbações de que o senhor falou. Todos foram eliminados e em breve tudo voltará ao normal.
Sem se incomodar com o crânio manchando seu tapete, o Conde de Tycon fala com um tom de orgulho:
-É por isso que você é um dos meus favoritos, Lyrot. Quando te peço para fazer alguma coisa você faz. Seu poder me surpreende cada dia mais.
-Então por que não me ajuda a encontrar minha irmã como prometeu? A cada dia que passa tudo o que eu recebo são mais e mais mortes para carregar em minhas costas enquanto Kate continua perdida.
-Não diga isso, Lyrot. Você sabe tanto quanto eu que eu tenho tentado o máximo possível, mas meus esforços parecem não ser o suficiente...
O guardião sabia o quanto aquilo era mentira. Cada palavra do nobre ameaçava a tênue barreira que segurava a raiva de Lyrot.
-Talvez nós estejamos errados – Foi a frase menos ofensiva que conseguiu dizer. Para ele não faria mais diferença o que o Conde pensava. O desejo de Lyrot era nunca mais ver aquele homem em sua frente. Havia decidido que se quisesse encontrar Kate, teria que fazer isso com suas próprias mãos – Vou me retirar agora.
Sem esperar uma resposta do Conde, Lyrot virou-se e saiu a passos largos do salão. Agora, ele voltaria para casa. E, sem o Conde em seu caminho, ele só tinha que se concentrar em encontrar sua irmã. E a única pista que tinha no momento era o livro.
Ele não tinha aliados em quem confiar, não tinha senhores a quem servir, nem tropas a comandar. Tudo o que estava ao seu alcance era sua força de vontade e seu poder. E seria o suficiente para causar um bom estrago.
A caça começava agora.
O Herdeiro#9 – Preparando-se Para o Confronto – 765 d.Q., Zacrest

A enorme porta de ferro se abriu com um estrondo. Sem olhar para os lados, Azzwiters entrou pelo portal, dirigindo-se à sacerdotisa líder.
-Os elfos estão se preparando para um ataque, senhora. Suas forças estão organizadas e uma tropa se dirige imediatamente à nossa cidade.
-Azzwiters! – exclamou a drow com surpresa – Achei que havia morrido na batalha. Nós perdemos comunicação com toda a tropa.
A sacerdotisa sabia que o drow-demônio tinha algo a ver com aquela história, mas não podia fazer nada.
-Nosso grupo foi massacrado na batalha – disse Azz – A cidade élfica foi protegida magicamente, o que nos impediu de fugir. Por sorte consegui me esconder enquanto observava o inimigo.
A sacerdotisa poderia acreditar em Azzwiters ou não, mas tinha acabado de receber a notícia de que tropas élficas marchavam nas redondezas da cidade. Isso exigiria uma reação imediata, e o Filho-do-Mal deveria esperar por um julgamento mais adequado.
O drow agora havia sido liberado para se preparar para a batalha. Com sua nova espada, Azz se dirigiu à muralha, de onde poderia ver a batalha de camarote e, cedo ou tarde, se envolveria em combate com os invasores élficos.
Podia lhe parecer estranho agora ele ter passado tanto tempo em meio aos elfos, mas segundo a velha profetisa, isso seria necessário para que o trono fosse seu. Azzwiters tinha se acostumado a confiar naquela velha senhora.
Agora, finalmente, Azz poderia eliminar aqueles malditos elfos da superfície que durante meses o incomodaram. Sua sede de morte seria satisfeita em apenas algumas horas.
O som de uma trombeta ecoou nos corredores rochosos da caverna. Um som forte e claro, usado pelos drows para simbolizar perigo.
O inimigo estava chegando.